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    Entenda como funciona o remédio experimental destinado a Lito Sousa

    Substância chegou ao Brasil após autorização excepcional da Anvisa e será usada em uma tentativa de tratamento ainda sem resultado garantido

    O ALN-6457 para Lito Sousa chegou ao Brasil para uma tentativa de tratamento contra a doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ).

    A substância desembarcou em Guarulhos na noite de sexta-feira (11). Depois, seguiu de helicóptero para o Einstein Hospital Israelita, em São Paulo.

    A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou a importação e o uso individual em caráter excepcional.

    No entanto, essa autorização não representa o registro do medicamento no Brasil. Além disso, a decisão não comprova que o ALN-6457 seja seguro ou eficaz contra a doença.

    Como o ALN-6457 tenta agir

    A doença de Creutzfeldt-Jakob faz parte do grupo das doenças priônicas.

    Essas condições envolvem o funcionamento anormal de uma proteína chamada PrP, encontrada principalmente no sistema nervoso.

    O gene PRNP contém as instruções usadas pelas células para produzir essa proteína.

    Em pessoas com a doença, porém, parte da PrP assume uma estrutura anormal.

    Depois disso, a proteína alterada pode induzir outras proteínas normais a adotar a mesma configuração.

    Assim, o processo favorece o acúmulo de príons e provoca a destruição progressiva dos neurônios.

    Tecnologia usa RNA de interferência

    O ALN-6457 para Lito Sousa utiliza uma tecnologia conhecida como RNA de interferência.

    De forma simplificada, o composto tenta interromper parte da mensagem enviada pelo gene PRNP antes que a célula produza a proteína PrP.

    Com menos proteína normal disponível, a expectativa é reduzir a quantidade que poderá assumir a forma anormal.

    Portanto, a estratégia busca desacelerar a formação de novos príons e, consequentemente, a progressão da doença.

    Tratamento não reverte danos

    O medicamento não foi desenvolvido para retirar imediatamente as proteínas anormais já acumuladas no cérebro.

    Além disso, o composto não reconstrói os neurônios destruídos pela doença.

    Por isso, o tratamento não garante recuperação dos movimentos ou das funções neurológicas já comprometidas.

    A proposta, portanto, é tentar preservar as funções existentes e reduzir a velocidade de progressão da doença.

    Ainda assim, pesquisadores não sabem se a estratégia funcionará em humanos.

    Também não existem dados suficientes sobre possíveis efeitos colaterais provocados pela redução da proteína PrP no organismo.

    Uso continua experimental

    O ALN-6457 permanece em fase pré-clínica para o tratamento de doenças priônicas.

    Isso significa que estudos clínicos ainda não comprovaram sua segurança e eficácia em pessoas.

    A Regeneron Pharmaceuticals informou que pretende iniciar os primeiros testes clínicos do composto em humanos.

    No entanto, a empresa ainda não divulgou uma data.

    Segundo o Ministério da Saúde, atualmente não existe tratamento capaz de interromper ou reverter a evolução da doença de Creutzfeldt-Jakob.

    Dessa forma, o uso do ALN-6457 para Lito Sousa continuará como uma tentativa experimental, sem garantia de resultado.

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