• Estadual

    Adriana Accorsi diz que remover marcação de balas dificulta investigação e favorece bandido

    Deputada critica posição de Flávio Bolsonaro sobre rastreamento de munições e afirma que identificação ajuda a polícia a esclarecer crimes.

    A deputada federal Adriana Accorsi (PT-GO) criticou a proposta de retirar exigências de marcação de munições durante entrevista ao canal da advogada e influenciadora Andrea Gonçalves, no YouTube. Segundo a parlamentar, a medida dificultaria o rastreamento de armas e munições utilizadas em crimes. Além disso, acusou o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) de defender mudanças que poderiam beneficiar criminosos.

    A discussão ganhou repercussão após a sabatina de Flávio na TV Globo, conduzida pela jornalista Renata Lo Prete. Durante a entrevista, o candidato respondeu a questionamentos sobre o projeto de lei nº 3.723/2019, que trata das regras de armas e munições. Ao defender alterações na legislação, Flávio classificou a marcação questionada como um “detalhezinho”, segundo o relato apresentado por Adriana.

    Críticas de Adriana

    Adriana Accorsi afirmou que retirar a identificação das munições pode prejudicar o trabalho das equipes de investigação criminal.

    “Quem ganha quando fica mais difícil rastrear uma munição? O bandido, é claro”, declarou a deputada.

    Além disso, a parlamentar acusou Flávio de apoiar uma proposta contrária aos interesses da segurança pública. A declaração representa uma crítica política de Adriana e não uma constatação de que o senador tenha agido para beneficiar organizações criminosas.

    Segundo a deputada, a identificação de lotes e fabricantes permite às autoridades investigar a origem das munições e possíveis desvios.

    Por isso, Adriana defende a manutenção dos mecanismos de rastreabilidade como parte das políticas de prevenção e investigação de crimes.

    Como funciona o rastreamento

    A marcação de munições permite identificar informações relacionadas à fabricação e, em determinadas situações, ao lote de produção ou à sua destinação.

    Além disso, a perícia balística pode comparar marcas deixadas em projéteis e estojos com padrões produzidos por uma arma de fogo.

    Entretanto, os procedimentos são diferentes. A identificação comercial ajuda a rastrear a origem de determinadas munições, enquanto o exame balístico procura estabelecer possíveis relações entre disparos e armas.

    Assim, a presença de códigos de rastreamento pode auxiliar a investigação, mas não garante, isoladamente, a identificação do autor de um crime.

    Adriana Accorsi, que já comandou a Polícia Civil de Goiás, destacou que o estado possui equipamentos utilizados nesse tipo de análise pericial.

    Projeto no Senado

    O PL 3.723/2019 propõe mudanças no Estatuto do Desarmamento e em regras de registro e comercialização de armas e munições.

    O texto passou pela Câmara dos Deputados e permanece em tramitação no Senado Federal. Além disso, recebeu emendas relacionadas à marcação e à rastreabilidade.

    Uma das propostas apresentadas durante a discussão prevê identificação do fabricante e do lote nas embalagens e nos estojos das munições.

    Entretanto, as diferentes versões e emendas precisam ser consideradas para identificar quais exigências seriam mantidas ou retiradas na redação final.

    Flávio Bolsonaro defendeu mudanças nas regras durante sua participação na sabatina da Globo. Por sua vez, Adriana Accorsi sustenta que a redução da rastreabilidade pode dificultar investigações criminais.

    A proposta ainda depende da conclusão da tramitação legislativa.

    Noticias relacionadas