EUA estão ficando iguais ao Brasil no colapso da infraestrutura para veículos elétricos — e a IA pode piorar tudo
Com cortes em investimentos, estações desativadas e demanda crescente por energia, cenário preocupa motoristas e especialistas
A crise nos Estados Unidos com a infraestrutura de carregamento para veículos elétricos tem se intensificado e já lembra os gargalos enfrentados no Brasil. Além da escassez de pontos de recarga, um novo fator surge como ameaça adicional: o consumo de energia da inteligência artificial, que deve pressionar ainda mais as redes elétricas.
Nos EUA, mais de 208 mil carregadores públicos estão em operação, mas especialistas estimam que seriam necessários pelo menos 174 mil novos por ano para acompanhar a demanda. A situação piorou com a suspensão de investimentos no programa NEVI, que previa US$ 5 bilhões em infraestrutura, e com a decisão da GSA de desativar 8 mil estações públicas sob sua gestão.
Mas o alerta agora vai além dos veículos. Com o crescimento acelerado de data centers e sistemas baseados em IA — como assistentes virtuais, serviços de nuvem e plataformas de análise em tempo real —, o consumo energético global já apresenta sinais de tensão. Grandes empresas como Microsoft, Google e Amazon estão aumentando significativamente suas estruturas, muitas vezes competindo por fornecimento com outras áreas críticas, como transporte e saúde.
Analistas afirmam que, sem planejamento energético coordenado, a IA poderá se tornar uma das principais causas de apagões futuros, especialmente em regiões onde já há sobrecarga no sistema. Para motoristas de veículos elétricos, o risco é duplo: falta de estrutura de carregamento e escassez de energia.
O cenário norte-americano serve de alerta direto ao Brasil, onde a infraestrutura ainda engatinha e a diversificação da matriz energética não acompanha o ritmo da digitalização e eletrificação da frota.