EUA ameaçam tarifar países alinhados ao BRICS, e China reage com crítica à “diplomacia coercitiva”
Declaração de Trump sobre sobretaxa de 10% a aliados do BRICS provoca resposta imediata de Pequim, que vê ação como tentativa de intimidação comercial
Trump retoma discurso tarifário
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado (6) que irá penalizar com uma tarifa de 10% os países que apoiarem as “políticas antiamericanas do BRICS”. A declaração foi publicada às 19h24 (horário de Washington), por meio de sua conta na Truth Social.
Além disso, Trump destacou que não fará exceções. Segundo ele, a medida entrará em vigor imediatamente, caso ele volte à presidência em 2025.
“Não haverá exceções a esta política. Obrigado pela atenção a este assunto!”, escreveu.
Pouco depois, a China reagiu com firmeza. O Ministério das Relações Exteriores classificou, neste domingo (7), a declaração como “coercitiva e hostil”. Conforme a nota oficial, os EUA tentam enfraquecer a cooperação entre países em desenvolvimento.
“As ameaças dos EUA são um típico exemplo de diplomacia coercitiva. O BRICS representa uma visão multipolar do mundo baseada na cooperação, e não na intimidação”, afirmou o porta-voz da chancelaria chinesa.
BRICS amplia protagonismo global
As falas de Trump ocorrem em um contexto sensível. No mesmo dia, líderes do BRICS se reuniram no Rio de Janeiro para discutir novas direções econômicas e geopolíticas.
Durante a cúpula, representantes dos países-membros propuseram a ampliação do uso de moedas locais no comércio internacional. Além disso, criticaram o papel do FMI e do Banco Mundial, acusando essas instituições de manterem práticas que favorecem os países desenvolvidos.
Como resultado, os discursos do BRICS geraram desconforto em Washington. Segundo analistas, a resposta de Trump busca frear esse avanço e restaurar sua agenda protecionista.
Brasil acompanha cenário com cautela
O Brasil, por ser o anfitrião da cúpula, também se vê no centro desse embate. Por isso, o governo brasileiro avalia com atenção os possíveis efeitos da fala de Trump.
Embora o Itamaraty ainda não tenha emitido nota oficial, fontes internas informam que a equipe diplomática monitora a situação de forma contínua. Caso as ameaças se concretizem, as exportações brasileiras podem enfrentar restrições significativas.
Além disso, o alinhamento político com os demais membros do BRICS poderá influenciar futuras decisões comerciais e diplomáticas.