Tailândia e Camboja fecham cessar-fogo após cinco dias de confrontos na fronteira
Com mediação da Asean e pressão dos EUA e China, líderes dos dois países selam trégua imediata; crise colocou governo tailandês sob risco de colapso
Conflito armado na fronteira termina com anúncio de trégua
Após quase uma semana de confrontos intensos, Camboja e Tailândia anunciaram nesta segunda-feira (28) um acordo de cessar-fogo. O entendimento foi alcançado durante uma reunião emergencial na Malásia. O encontro contou com a mediação de Anwar Ibrahim, primeiro-ministro da Malásia e presidente da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean).
A trégua começa à meia-noite e é considerada “imediata e incondicional”. Além disso, os países se comprometeram a retomar canais diretos de comunicação para evitar novos confrontos.
Pressão internacional acelerou o acordo
Enquanto a tensão crescia, a comunidade internacional intensificou os esforços diplomáticos. China e Estados Unidos ofereceram apoio às negociações. Inclusive, o presidente americano Donald Trump telefonou para os líderes dos dois países. Na ligação, ele ameaçou suspender tratativas comerciais se os combates continuassem.
Em coletiva de imprensa, Anwar destacou o consenso como resultado direto da mediação conjunta. Dessa forma, o bloco regional acredita ter evitado uma nova escalada militar.
Disputa territorial agravou crise política
Os confrontos começaram após a morte de um soldado cambojano. O episódio reacendeu uma antiga disputa territorial. Desde então, os dois lados aumentaram a presença militar na fronteira, agravando a crise.
Além disso, a Tailândia enfrenta instabilidade política com um governo interino. A situação interna dificultava a resposta coordenada ao conflito. Ainda assim, o premiê interino Phumtham Wechayachai afirmou confiar na manutenção da trégua. Já o cambojano Hun Manet avaliou o cessar-fogo como uma “chance de reconstrução diplomática”.
Asean prevê retomada do diálogo
A expectativa da Asean é de desescalada gradual. O bloco regional defende que a trégua sirva como ponto de partida para negociações mais amplas. Assim, pretende-se buscar uma solução definitiva para os territórios em disputa. Além disso, o pacto pode contribuir para a estabilização política na Tailândia.