Trump chama prisão de Lula de “perseguição” e negocia fim do tarifaço na Malásia
Reunião de 45 minutos tratou de tarifas, Lei Magnitsky, Venezuela e visitas oficiais. Líderes abriram caminho para reaproximação entre Brasil e EUA.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se reuniram neste domingo (26), em Kuala Lumpur, na Malásia. O encontro ocorreu durante a cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) e durou cerca de 45 minutos.
Além de reaproximar os dois países, a conversa marcou o início das negociações para encerrar o tarifaço imposto pelos EUA sobre produtos brasileiros.
Durante a reunião, Trump surpreendeu a comitiva brasileira. Ele afirmou que Lula foi vítima de perseguição política nas investigações da Operação Lava Jato. Segundo o Estadão, o republicano chegou a perguntar quanto tempo o petista ficou preso. A resposta veio rápida: 580 dias de prisão entre abril de 2018 e novembro de 2019.
“É uma grande honra estar com o presidente do Brasil. Acredito que seremos capazes de fazer bons acordos para os dois países. Nós sempre tivemos boas relações. Acredito que isso vai continuar”, disse Trump, em publicação feita pela Casa Branca.
Lula pede revogação do tarifaço
Durante o encontro, Lula solicitou a revogação imediata do tarifaço de 50% aplicado pelos EUA desde julho. O presidente destacou que as medidas prejudicam exportações e desestimulam o agronegócio.
Além disso, reforçou que o Brasil busca diálogo, e não confronto, nas relações comerciais.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que o clima da conversa foi “positivo e direto”. Segundo ele, Trump autorizou o início das negociações bilaterais e a primeira rodada deve ocorrer “nas próximas semanas”. Dessa forma, o governo brasileiro espera um gesto prático de reaproximação.
Lei Magnitsky e Venezuela em pauta
Além das tarifas, o diálogo abordou temas delicados. Um deles foi a Lei Magnitsky, instrumento usado pelos EUA para sancionar autoridades estrangeiras. Parte dessas sanções atingiu ministros e magistrados brasileiros nos últimos meses.
Lula defendeu que medidas desse tipo precisam ser revistas, pois ferem a soberania nacional.
Outro ponto de discussão foi a crise política na Venezuela. O petista defendeu a via diplomática e o respeito à autodeterminação dos povos. Trump, por sua vez, reafirmou que “liberdade e democracia na América Latina continuam sendo prioridades” de seu governo.
Sinal de reaproximação
Nos bastidores, diplomatas dos dois países classificaram o encontro como um gesto pragmático e necessário. Após meses de tensão, a reunião sinaliza que ambos os governos estão dispostos a reconstruir pontes.
O Brasil, por sua vez, vê no diálogo uma oportunidade de recuperar mercados e aliviar pressões comerciais.
Enquanto isso, nos Estados Unidos, assessores de Trump enxergam Lula como um negociador experiente e capaz de manter estabilidade política na região.
“O presidente Trump demonstrou disposição em buscar um caminho equilibrado. O Brasil tem interesse em restabelecer a confiança mútua”, disse uma fonte do Itamaraty.
O que vem pela frente
As equipes técnicas dos dois países devem se reunir ainda neste trimestre. O objetivo é definir prazos e estratégias para reduzir as tarifas. Caso o consenso avance, um anúncio conjunto pode ocorrer em dezembro.
Além disso, o comentário de Trump sobre a Lava Jato repercute fortemente no Brasil e reacende o debate sobre a politização do Judiciário.
Por fim, o encontro marca um novo capítulo da diplomacia brasileira. Lula tenta equilibrar pragmatismo econômico e defesa da soberania, enquanto Trump busca fortalecer sua imagem de negociador global.