Presidentes da América Latina disputam influência no Instagram
Rede social virou novo palanque político, onde curtidas e seguidores se transformam em poder e narrativa.
Na América Latina, o poder político também se mede em curtidas. De discursos oficiais a vídeos descontraídos, os presidentes da região descobriram no Instagram um novo palanque para influenciar, emocionar e conquistar eleitores.
Um levantamento recente mostra quem são os líderes mais seguidos do continente. O resultado reflete tanto a força de suas imagens quanto a habilidade em dialogar diretamente com o público.
Os mais seguidos do continente
| Posição | Presidente | País | Seguidores (milhões) |
|---|---|---|---|
| 1️⃣ | Luiz Inácio Lula da Silva | 🇧🇷 Brasil | 14,0 |
| 2️⃣ | Nayib Bukele | 🇸🇻 El Salvador | 10,5 |
| 3️⃣ | Javier Milei | 🇦🇷 Argentina | 6,1 |
| 4️⃣ | Claudia Sheinbaum | 🇲🇽 México | 2,8 |
| 5️⃣ | Nicolás Maduro | 🇻🇪 Venezuela | 2,1 |
| 6️⃣ | Gustavo Petro | 🇨🇴 Colômbia | 2,1 |
| 7️⃣ | Gabriel Boric | 🇨🇱 Chile | 1,8 |
| 8️⃣ | Luis Abinader | 🇩🇴 República Dominicana | 1,7 |
| 9️⃣ | Daniel Noboa | 🇪🇨 Equador | 1,4 |
| 🔟 | Santiago Peña | 🇵🇾 Paraguai | 0,467 |
Da tribuna ao feed
Antes, as grandes declarações políticas vinham de microfones e palanques. Agora, saem direto dos stories. Cada postagem é pensada para emocionar, provocar ou informar — e cada curtida virou um termômetro de popularidade.
Lula, por exemplo, aposta em bastidores, viagens e encontros internacionais. Já Nayib Bukele, de El Salvador, usa o Instagram como vitrine de sua política de segurança, com vídeos cinematográficos e legendas provocativas. Enquanto isso, Javier Milei mistura memes e economia, e Claudia Sheinbaum aposta em um tom mais cotidiano e leve.
Apesar das diferenças, todos têm algo em comum: a tentativa de falar diretamente com o eleitor, sem intermediários.
Política com filtro
O que antes parecia informalidade virou estratégia. Fotos com crianças, vídeos em eventos e reels sobre políticas públicas fazem parte da disputa por atenção — e por narrativa.
Mais do que colecionar seguidores, os presidentes buscam moldar percepções e reforçar identidades. Assim, a política latino-americana ficou mais próxima, mais rápida e, de certo modo, mais humana.
No fim, o novo palanque político cabe na tela de um celular — e cada story pode valer tanto quanto um discurso de campanha.