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    Acordo UE-Mercosul avança apesar da oposição da França

    Mesmo sob resistência francesa e protestos de agricultores, União Europeia caminha para destravar tratado negociado há mais de duas décadas

    A União Europeia caminha para aprovar o acordo UE-Mercosul já na próxima segunda-feira (12), apesar da oposição explícita da França. Conforme avaliações de diplomatas em Bruxelas, uma maioria qualificada de países-membros tende a votar a favor do tratado, o que autoriza a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, a assinar formalmente o acordo. Assim, o avanço político destrava um processo de negociação iniciado há mais de 20 anos.

    Maioria qualificada deve garantir aval político

    O acordo de livre-comércio entre a União Europeia e o Mercosul prevê a redução gradual de tarifas e a ampliação do intercâmbio comercial entre os dois blocos. Além disso, o tratado alcança setores estratégicos, como indústria, agricultura e serviços. Dessa forma, o aval da maioria qualificada representa um passo decisivo para a consolidação do pacto no âmbito europeu.

    Apesar disso, a proposta segue sob forte contestação. Agricultores europeus, especialmente em países com peso no setor rural, alegam concorrência desleal de produtos sul-americanos. Enquanto isso, governos pressionam por garantias ambientais, sanitárias e de rastreabilidade mais rígidas, sobretudo após o aumento das exigências climáticas dentro da própria União Europeia.

    França mantém veto e critica impacto agrícola

    Em meio às articulações finais, o presidente francês Emmanuel Macron confirmou que a França votará contra o acordo. Segundo Macron, o tratado é “ultrapassado” por ter sido negociado com base em parâmetros antigos e, portanto, não reflete as atuais exigências ambientais e sanitárias da Europa. Além disso, o líder francês afirmou que os ganhos econômicos projetados não compensam os riscos à soberania agrícola e alimentar do país.

    No entanto, diplomatas avaliam que a posição francesa, embora politicamente relevante, não será suficiente para barrar a aprovação. Caso a maioria qualificada se confirme, o acordo seguirá adiante mesmo sem unanimidade, conforme as regras do bloco europeu.

    Próximos passos após a votação

    Se aprovado politicamente, o acordo UE-Mercosul entra em nova fase. A assinatura formal pela Comissão Europeia abre caminho para processos de ratificação interna, que podem variar conforme o modelo jurídico adotado. Ainda assim, o avanço representa uma vitória para países favoráveis à abertura comercial e um novo capítulo na relação entre Europa e América do Sul.

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