Preto ou branco? Entenda o que as cores dos turbantes dos aiatolás dizem sobre eles
Os clérigos iranianos raramente aparecem em público sem a amama. Dessa forma, essa peça vai muito além da religião, pois funciona como um verdadeiro código de linhagem e autoridade.
O Transmissão Politica listou as principais curiosidades para você decifrar essa tradição milenar. Confira:
O “RG” na cor do tecido
A cor do turbante revela, imediatamente, a origem familiar de quem o usa. Nesse sentido, existem dois padrões principais:
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Preto: A tradição reserva esta cor exclusivamente para os Sayyids. Eles são os homens que descendem diretamente do Profeta Maomé. Portanto, o turbante preto confere o nível máximo de prestígio social e religioso.
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Branco: Os demais clérigos e estudiosos adotam o branco. Eles possuem grande autoridade acadêmica, embora não carreguem o sangue da família do Profeta em suas veias.
Uma “graduação” de pano
Ninguém usa o acessório por escolha estética. Pelo contrário, o turbante representa uma espécie de diploma. O clero exige décadas de estudo nos seminários de Qom ou Najaf antes de autorizar o uso da vestimenta. Além disso, os mestres realizam uma cerimônia oficial, chamada Amameh-Gozari, para entregar a peça ao aluno.
Metros de técnica e mistério
O líder não veste um chapéu pronto; ele enrola metros de história. O fiel utiliza uma faixa de algodão fino que mede entre 5 e 7 metros. Consequentemente, a forma simétrica de enrolar o tecido demonstra a disciplina mental e o autocontrole do aiatolá.
Inclusive, muitos líderes enxergam o turbante como um lembrete da própria mortalidade. Eles associam o tecido ao sudário (pano mortuário), o que os obriga a agir com justiça perante Deus.
Contexto: Irã confirma morte de Ali Khamenei
Toda essa simbologia ganha um tom solene neste domingo (1º/3). Isso porque o governo do Irã confirmou a morte do Líder Supremo Ali Khamenei, aos 86 anos. O aiatolá, que sempre ostentou o turbante preto de sua linhagem nobre, foi vítima de um ataque aéreo em Teerã.
Portanto, o país entra agora em um período de 40 dias de luto oficial. Enquanto isso, um conselho de transição assume o comando para organizar a sucessão do poder na República Islâmica.