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    Argentina está disposta a mandar militares para guerra se EUA pedirem

    Declaração de porta-voz do governo Milei amplia tensão externa e surge em meio a novas pressões sobre o caso $Libra

    O governo da Argentina afirmou que poderá apoiar os Estados Unidos em uma eventual escalada no Oriente Médio. A sinalização foi feita caso Washington apresente um pedido formal. A declaração partiu do porta-voz Javier Lanari em entrevista ao jornal espanhol El Mundo.

    Segundo a fala atribuída a Lanari, a resposta seria positiva se os Estados Unidos solicitarem ajuda. Além disso, ele afirmou que qualquer assistência considerada necessária poderá ser oferecida. A declaração repercutiu rapidamente na imprensa internacional e aumentou a pressão sobre a política externa do governo Javier Milei.

    Desde o início do mandato, Milei vem reforçando o alinhamento da Argentina com Washington e Tel Aviv. Nesse cenário, o presidente anunciou a saída do país da Organização Mundial da Saúde. Também confirmou a intenção de transferir a embaixada argentina em Israel de Tel Aviv para Jerusalém. Dessa forma, o gesto foi interpretado como mais um sinal político de aproximação com Israel e com os Estados Unidos.

    Fala de Lanari amplia debate internacional

    A declaração chamou atenção porque não tratou apenas de apoio diplomático. Na prática, ela abriu espaço para uma possível colaboração militar argentina fora da América do Sul. Por isso, a fala elevou o tom do debate regional e internacional.

    Ao mesmo tempo, o posicionamento também gerou questionamentos dentro da própria Argentina. Isso porque parte da imprensa local destacou limitações operacionais das Forças Armadas do país. Ainda assim, a mensagem política da Casa Rosada foi direta. Se houver pedido dos EUA, o governo não descarta participação.

    Milei endurece discurso contra o Irã

    Além dessa sinalização, Milei tem adotado um discurso cada vez mais duro contra o Irã. Nos últimos dias, o presidente voltou a classificar o país como inimigo da Argentina. Também retomou acusações sobre o atentado contra a AMIA, ocorrido em 1994.

    A reação veio do jornal iraniano Tehran Times. Em editorial, o veículo afirmou que Milei cruzou uma linha vermelha ao adotar postura hostil contra Teerã. Com isso, a tensão diplomática ganhou um novo capítulo. O episódio também expôs o peso internacional das declarações do presidente argentino.

    Caso $Libra pressiona o governo

    A fala sobre apoio militar surgiu em meio a novas denúncias envolvendo o caso da criptomoeda $Libra. Reportagem do jornal argentino El Destape informou que perícias no celular do empresário Mauricio Novelli encontraram material que apontaria um suposto acordo de US$ 5 milhões. O conteúdo teria relação com a divulgação da criptomoeda nas redes sociais por Milei, em fevereiro de 2025.

    Até agora, o presidente argentino não comentou publicamente os novos detalhes. Enquanto isso, aliados evitam acusações diretas. Por outro lado, parlamentares da oposição tentam ampliar a pressão por uma investigação. Assim, a nova controvérsia aumentou o desgaste político do governo.

    Histórico militar volta ao centro do debate

    A hipótese de apoio argentino aos Estados Unidos no Oriente Médio também reacendeu lembranças históricas. Em 1991, durante o governo Carlos Menem, a Argentina enviou navios para apoiar o bloqueio naval contra o Iraque na Guerra do Golfo.

    Antes disso, em 1982, o país travou a Guerra das Malvinas contra o Reino Unido. O conflito terminou com derrota argentina e deixou centenas de mortos. Por isso, qualquer menção a participação militar externa costuma gerar forte repercussão no país.

    Dessa maneira, a declaração de Lanari não foi vista como um gesto qualquer. Ao contrário, ela recolocou a Argentina no centro de um debate sobre soberania, custo político e risco diplomático em meio a uma crise internacional cada vez mais sensível.

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