Irã diz que pressão militar e temor nos mercados fizeram Trump recuar de ataque
Teerã afirma que ameaças de retaliação e temor nos mercados ajudaram a adiar ataque dos EUA, mas Casa Branca sustenta que pausa ocorreu após conversas “produtivas”
O Irã afirmou nesta segunda-feira (23) que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recuou de um ataque contra infraestruturas vitais do país após considerar críveis as ameaças militares de Teerã e o impacto da crise sobre os mercados globais. A declaração foi feita por um alto funcionário iraniano à agência Tasnim, depois de Trump anunciar uma pausa de cinco dias em eventuais bombardeios contra instalações energéticas iranianas. Publicamente, o presidente americano disse que suspendeu a ofensiva após conversas “muito boas e produtivas”.
Segundo a versão iraniana, o recuo não teve apenas motivo diplomático. Teerã avalia que a pressão sobre títulos, ativos e o setor de energia no Ocidente também influenciou a decisão americana. Além disso, a fala ocorre em meio à escalada da crise no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o petróleo global. Trump havia dado um ultimato de 48 horas para que a passagem fosse reaberta e ameaçou atingir usinas iranianas caso isso não ocorresse.
Irã endurece discurso
Na mesma mensagem, o representante iraniano afirmou que mediadores enviaram recados a Teerã desde o início da guerra. Ainda assim, segundo ele, a resposta foi clara: o país seguirá reagindo até alcançar o “nível necessário de dissuasão”. Com isso, o discurso reforça a linha dura adotada pelo regime nas últimas horas.
Além disso, a Guarda Revolucionária ampliou as ameaças contra Washington. O grupo declarou que poderá retaliar caso os EUA atinjam a infraestrutura elétrica iraniana. Entre os alvos citados estão instalações em Israel e estruturas regionais que abastecem bases americanas no Golfo. Dessa forma, a tensão segue elevada e mantém o risco de nova escalada militar no Oriente Médio.
Mercados reagem à pausa
A pausa anunciada por Trump trouxe alívio imediato aos mercados. O petróleo despencou mais de 13% nesta segunda-feira, enquanto bolsas internacionais avançaram com a redução momentânea do risco geopolítico. Ainda assim, analistas avaliam que a calmaria pode ser temporária, já que o conflito continua aberto e as mensagens dos dois lados seguem contraditórias.
Na prática, o embate agora ocorre em duas frentes. De um lado, o Irã tenta vender a ideia de que forçou um recuo dos Estados Unidos. De outro, Trump sustenta que abriu uma janela para negociação. Portanto, a disputa segue tanto no campo militar quanto no político. E, enquanto isso, o mercado global de energia continua sob forte instabilidade.