A Argentina passou a permitir maior participação de etanol na gasolina comercializada no país. A mudança foi oficializada pelo governo em meio à pressão sobre os preços dos combustíveis, provocada pela alta do petróleo no mercado internacional.
Com a nova regra, o percentual obrigatório de etanol permanece em 12%. No entanto, as empresas do setor agora podem elevar essa proporção até 15%, desde que respeitem os limites técnicos definidos pelas autoridades. A medida entrou em vigor imediatamente após a publicação da Resolução 79/2026 pela Secretaria de Energia argentina.
Na prática, a decisão amplia a margem de atuação de refinarias e distribuidoras. Dessa forma, o governo busca reduzir a dependência de derivados do petróleo. Além disso, a medida tenta amenizar os efeitos das oscilações externas sobre os preços pagos pelos consumidores.
Mudança altera composição da gasolina
Além de permitir maior participação de etanol na gasolina, a resolução também modificou um parâmetro técnico do combustível. O limite de oxigênio autorizado na composição subiu para 5,6%, índice diretamente ligado à presença do biocombustível.
Segundo a justificativa oficial, a mudança pode melhorar a qualidade da combustão. Também pode favorecer o desempenho do produto. Além disso, o etanol costuma reduzir a emissão de monóxido de carbono e aumentar a octanagem da gasolina.
No caso do diesel, porém, não houve alteração. O combustível segue com mistura de até 20% de biodiesel, como já ocorre atualmente no país.
Decisão mira impacto da alta do petróleo
A flexibilização ocorre em meio a um cenário de instabilidade no mercado internacional de energia. Com a valorização do petróleo e os efeitos de conflitos geopolíticos, governos buscam alternativas para conter repasses mais fortes ao consumidor final.
Nesse contexto, a ampliação do uso de biocombustíveis surge como uma saída. Ao mesmo tempo, a medida mantém uma agenda ligada à transição energética. Assim, a decisão argentina se encaixa nesse movimento e aproxima o país de uma discussão que já avançou no Brasil.
Brasil já opera com percentual maior
No mercado brasileiro, a presença de etanol na gasolina já é mais alta. Desde 2025, a gasolina comum passou a contar com 30% de etanol na mistura, percentual bem acima do limite agora autorizado na Argentina.
Além disso, o governo federal discute nova ampliação. O Ministério de Minas e Energia coordena estudos para avaliar a viabilidade de uma mistura com 35% de etanol, conhecida como E35.
Os testes reúnem órgãos públicos, instituições de pesquisa e universidades. As análises incluem desempenho dos veículos, consumo, eficiência energética e impacto ambiental. O investimento previsto é de R$ 30 milhões.