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    Segurança pública vira ponto central na eleição da Colômbia e impulsiona direita contra herdeiro de Petro

    Gustavo Petro questiona resultado preliminar após Abelardo de la Espriella sair à frente de Iván Cepeda na primeira volta

    A segurança pública virou o principal ponto de pressão na eleição presidencial da Colômbia e ajudou a impulsionar a candidatura da direita radical contra o campo político do presidente Gustavo Petro. Mesmo com avanços sociais registrados durante o atual governo, o medo da criminalidade ganhou força no debate eleitoral e colocou o governista Iván Cepeda em situação difícil no segundo turno.

    O clima político ficou ainda mais tenso após Petro dizer que não aceita o resultado preliminar da primeira volta. A apuração inicial indicou vantagem de Abelardo de la Espriella, candidato da direita radical, sobre Cepeda, aliado do atual presidente. Como nenhum dos dois superou 50% dos votos, a disputa será decidida em segundo turno.

    Petro afirmou que só reconhecerá o resultado depois do escrutínio oficial. O presidente também levantou dúvidas sobre a pré-contagem e sobre a atuação de uma empresa privada no processo eleitoral. Até o momento, porém, não houve apresentação pública de provas capazes de alterar o quadro divulgado na noite da votação.

    Segurança domina a campanha

    De la Espriella cresceu com um discurso duro contra o crime organizado, as guerrilhas e as negociações conduzidas pelo governo Petro. O candidato defende megapresídios, endurecimento penal e fim das conversas com grupos criminosos.

    Embora negue copiar modelos estrangeiros, sua campanha passou a ser associada a experiências de linha-dura na América Latina, como a do presidente de El Salvador, Nayib Bukele. A promessa de respostas rápidas ganhou força em um país marcado por homicídios, assaltos, disputas entre facções e presença de grupos armados em diferentes regiões.

    Esse cenário ajuda a explicar por que a segurança virou tema central da sucessão colombiana. Para parte do eleitorado, políticas sociais de longo prazo são importantes, mas não respondem à urgência de quem convive diariamente com medo da violência.

    Avanços sociais não evitaram desgaste

    O governo Petro registrou melhora em indicadores sociais relevantes. A Colômbia teve queda da pobreza, redução da inflação e recuperação gradual do emprego. Além disso, o salário mínimo teve ganho real em parte do período, o que fortaleceu a renda de trabalhadores formais.

    No entanto, esses avanços não impediram o desgaste provocado pela insegurança. A eleição mostrou que resultados econômicos e sociais podem perder força política quando a população sente que o Estado não consegue garantir proteção nas ruas.

    Esse é um desafio comum a governos progressistas na América Latina. A esquerda costuma concentrar seu discurso em redução das desigualdades, educação, renda e inclusão social. Essas agendas seguem importantes, mas produzem efeitos mais fortes no médio e no longo prazo.

    Desafio para a esquerda

    A dificuldade está em combinar transformação social com respostas imediatas para a criminalidade. Punição e ressocialização não precisam ser políticas incompatíveis. O debate passa por investigação qualificada, policiamento eficiente, responsabilização de criminosos violentos e presídios capazes de oferecer trabalho, estudo e reintegração social.

    Ao mesmo tempo, crimes graves e violentos pressionam governos a apresentar medidas mais firmes. Quando a população vê trabalhadores mortos em assaltos, mulheres vítimas de feminicídio e comunidades dominadas por facções, cresce a busca por candidatos que prometem ordem e autoridade.

    Por isso, a eleição colombiana virou um alerta para outros países da região, inclusive o Brasil. Avanços sociais podem ser insuficientes quando o medo da violência domina o cotidiano.

    Segundo turno deve ampliar polarização

    No segundo turno, De la Espriella deve tentar consolidar o voto de direita e atrair eleitores de centro com a bandeira da segurança. Já Cepeda terá o desafio de defender o legado social de Petro sem ignorar a cobrança por respostas mais duras contra o crime.

    A disputa coloca dois projetos em confronto. De um lado, a direita radical promete endurecimento penal e enfrentamento direto ao crime organizado. De outro, o campo governista tenta preservar políticas sociais, reformas progressistas e negociações com grupos armados.

    O resultado será acompanhado por toda a América Latina. A eleição na Colômbia mostra que, para qualquer projeto político ser duradouro, a melhora da renda, da educação e dos serviços públicos precisa caminhar junto com a capacidade de proteger a vida dos trabalhadores.

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