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    Trump retoma ofensiva contra cidadania por nascimento

    Novas ordens executivas ampliam a pressão sobre regras migratórias e podem levar o tema novamente aos tribunais federais dos Estados Unidos.

    A cidadania por nascimento nos EUA voltou ao centro do debate político nesta quinta-feira (6).

    O presidente Donald Trump assinou novas ordens executivas para restringir o reconhecimento automático desse direito, segundo a Reuters.

    As medidas ampliam as situações consideradas inelegíveis pelo governo e buscam impedir o chamado “turismo de nascimento”.

    Essa expressão descreve viagens realizadas com a finalidade de garantir cidadania norte-americana ao filho nascido durante a permanência no país.

    Entretanto, os textos integrais das novas ordens ainda não estavam disponíveis em página oficial acessível até o fechamento desta matéria.

    Assim, permanecem dúvidas sobre o alcance, o início da aplicação e os critérios que as agências federais adotarão.

    Suprema Corte

    A iniciativa ocorre pouco mais de um mês depois de uma derrota de Trump na Suprema Corte.

    Em 30 de junho, o tribunal rejeitou uma ordem anterior que restringia a cidadania de filhos de imigrantes sem residência permanente.

    A decisão alcançou crianças nascidas de pais que estavam ilegalmente ou temporariamente nos Estados Unidos.

    Por seis votos a três, os ministros reafirmaram que essas crianças estão sujeitas à jurisdição norte-americana e são cidadãs desde o nascimento.

    O julgamento analisou a interpretação da 14ª Emenda da Constituição, promulgada em 1868.

    O dispositivo estabelece a cidadania para quem nasce ou se naturaliza nos Estados Unidos e está sujeito à jurisdição do país.

    Além disso, a maioria concluiu que o presidente não poderia modificar essa garantia constitucional por meio de uma ordem executiva.

    Primeira ordem

    Trump assinou a primeira medida sobre o tema em 20 de janeiro de 2025, no início de seu segundo mandato.

    O documento atingia duas situações principais.

    A primeira envolvia crianças cuja mãe não possuía situação migratória regular e cujo pai não era cidadão nem residente permanente.

    A segunda alcançava mães com permanência temporária, caso o pai também não tivesse cidadania ou residência permanente.

    Porém, diferentes ações judiciais impediram a aplicação da ordem antes do julgamento definitivo da Suprema Corte.

    Agora, o governo tenta apresentar novas categorias e uma estratégia específica contra viagens associadas ao nascimento de crianças.

    Contudo, qualquer medida administrativa precisará respeitar a interpretação constitucional estabelecida pelo tribunal.

    Disputa judicial

    As ordens podem provocar outra rodada de processos em tribunais federais.

    Organizações de defesa dos imigrantes, estados e pessoas afetadas poderão questionar os novos critérios após a publicação completa das regras.

    Além disso, juízes poderão avaliar se as medidas apenas regulamentam vistos e procedimentos migratórios ou restringem novamente a cidadania constitucional.

    Essa distinção será central.

    O governo federal possui autoridade para definir políticas de entrada e permanência de estrangeiros.

    Entretanto, não pode alterar unilateralmente o texto constitucional.

    Uma eventual mudança permanente na regra da cidadania por nascimento nos EUA exigiria uma emenda constitucional ou uma nova interpretação da Suprema Corte.

    Por isso, a administração Trump deverá demonstrar que as novas ordens não repetem a restrição rejeitada em junho.

    Imigração

    Trump mantém a imigração como uma das principais pautas de seu governo.

    Desde 2025, a Casa Branca ampliou deportações, controles fronteiriços e restrições de entrada para diferentes categorias de estrangeiros.

    A cidadania por nascimento nos EUA possui peso adicional porque envolve diretamente a interpretação da Constituição.

    A discussão também ocorre antes das eleições legislativas norte-americanas de novembro.

    Assim, o tema poderá mobilizar tanto eleitores favoráveis ao endurecimento migratório quanto grupos contrários às novas restrições.

    A oposição democrata tende a apresentar as ordens como uma tentativa de contornar a Suprema Corte.

    Por outro lado, aliados de Trump defendem maior controle sobre viagens destinadas exclusivamente a obter cidadania para recém-nascidos.

    Brasileiros

    As novas medidas também interessam a brasileiros que vivem, trabalham, estudam ou viajam temporariamente aos Estados Unidos.

    No entanto, ainda não é possível determinar quais categorias de visto poderão enfrentar mudanças.

    A decisão da Suprema Corte continua reconhecendo a cidadania dos filhos de pessoas que permanecem temporariamente no país.

    Portanto, uma ordem executiva não cancela automaticamente esse entendimento.

    Ainda assim, novas regras consulares podem alterar a análise de pedidos de visto ou aumentar a fiscalização sobre a finalidade declarada das viagens.

    Os efeitos concretos dependerão da publicação dos documentos e das orientações emitidas pelos departamentos de Estado e de Segurança Interna.

    Próximos passos

    A Casa Branca deverá divulgar o conteúdo completo das ordens e os prazos de implementação.

    Depois, as agências federais precisarão transformar as determinações em procedimentos administrativos.

    Enquanto isso, possíveis ações judiciais poderão pedir a suspensão das medidas antes de sua entrada em vigor.

    A disputa deverá esclarecer se Trump reformulou sua política dentro dos limites constitucionais ou retomou a restrição já rejeitada pela Suprema Corte.

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