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    Fim da escala 6×1: o que muda para o trabalhador

    PECs que reduzem a jornada avançaram na Câmara, mas mudança ainda precisa passar por comissão especial, plenário e Senado antes de valer.

    O debate sobre o fim da escala 6×1 ganhou força na Câmara dos Deputados e voltou a mobilizar trabalhadores nas redes sociais. No entanto, a mudança ainda não vale. Antes disso, uma comissão especial precisa analisar o tema e apresentar um parecer.

    A escala 6×1 funciona assim: o trabalhador atua por seis dias na semana e descansa apenas um. Esse modelo aparece com frequência no comércio, em supermercados, bares, restaurantes e serviços que funcionam todos os dias. Por isso, defensores da mudança afirmam que a folga única reduz o tempo de descanso e dificulta a convivência familiar.

    O que pode mudar

    As propostas em discussão buscam reduzir a jornada semanal. Uma delas diminui, de forma gradual, as atuais 44 horas para 36 horas semanais. Outra cria uma escala com quatro dias de trabalho e três de descanso.

    Na prática, caso uma das propostas avance, o trabalhador poderá ter uma jornada menor ou mais dias de descanso na semana. Além disso, parlamentares e movimentos sociais defendem que a mudança pode melhorar a saúde mental, reduzir o cansaço e ampliar o tempo para estudo, família e qualificação profissional.

    Salário pode diminuir?

    A principal dúvida envolve o salário. Até agora, os defensores das propostas sustentam a redução da jornada sem corte salarial. Dessa forma, o trabalhador teria menos horas de trabalho, mas manteria a remuneração.

    Ainda assim, o texto final pode mudar durante a tramitação. Deputados podem apresentar emendas, negociar ajustes e alterar pontos das propostas antes da votação em plenário.

    Empresas cobram cautela

    Por outro lado, representantes de setores produtivos cobram cautela. Empresários afirmam que a redução da jornada pode elevar custos, principalmente em atividades que funcionam todos os dias.

    Além disso, entidades do setor produtivo citam preocupação com pequenos negócios e com possível impacto nos preços. Portanto, a comissão especial deve discutir formas de equilibrar a redução da jornada com os efeitos econômicos da mudança.

    Próximos passos

    O tema também ganhou contornos políticos. A Câmara passou a conduzir o debate por meio de PECs, enquanto a proposta do governo federal sobre redução da jornada perdeu espaço na tramitação. Com isso, deputados assumiram o protagonismo da discussão.

    Agora, a comissão especial vai analisar o mérito das propostas e apresentar um parecer. Depois disso, o texto ainda precisa passar por dois turnos de votação na Câmara e também pelo Senado. Portanto, o fim da escala 6×1 avançou no Congresso, mas ainda não foi aprovado em definitivo.

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