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    Congresso analisa R$ 18,5 bi contra tarifaço dos EUA

    Medida provisória amplia crédito para exportadores e setores estratégicos. Recursos virão do Tesouro e do BNDES, mas texto ainda depende do Congresso.

    O Congresso Nacional começou a analisar a medida provisória que destina R$ 18,5 bilhões em crédito para exportadores brasileiros.

    O governo direcionou o programa às empresas atingidas pelo novo aumento de tarifas dos Estados Unidos.

    Além disso, a medida alcança setores estratégicos e negócios prejudicados por conflitos internacionais.

    A MP 1.379/2026 integra a terceira etapa do Plano Brasil Soberano. O governo publicou o texto em 22 de julho.

    Entretanto, deputados e senadores poderão modificar a proposta antes da votação definitiva.

    Origem dos recursos

    Do valor total destinado ao crédito para exportadores, o Tesouro Nacional fornecerá R$ 13,5 bilhões.

    O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social disponibilizará outros R$ 5 bilhões.

    Segundo o governo, os recursos do Tesouro vieram de valores não utilizados na primeira fase do plano e da renegociação de dívidas rurais.

    Por isso, o Executivo afirma que essa parcela não aumentará o resultado primário negativo das contas públicas.

    Contudo, o Congresso poderá avaliar a origem, a destinação e os impactos fiscais durante a tramitação.

    As linhas oferecerão juros subsidiados, abaixo das taxas comuns do mercado.

    Os critérios detalhados dependerão da regulamentação e dos planos de aplicação administrados pelo governo e pelo BNDES.

    Quem poderá receber

    O crédito para exportadores atenderá empresas e fornecedores ligados às cadeias produtivas afetadas pelas novas tarifas internacionais.

    Além disso, setores considerados estratégicos também poderão solicitar os financiamentos.

    A lista inclui agricultura, pecuária, pesca, aquicultura, florestas plantadas e mineração.

    O programa também contempla indústrias químicas, farmacêuticas, têxteis, automotivas, de fertilizantes, máquinas e equipamentos.

    Entretanto, a inclusão em um dos setores não garante aprovação automática.

    As instituições financeiras deverão analisar capacidade de pagamento, finalidade dos recursos e enquadramento nas regras do programa.

    Como usar o crédito

    As empresas poderão utilizar os financiamentos para manter capital de giro e preservar suas operações.

    Além disso, as linhas permitirão a compra de máquinas e equipamentos.

    Os recursos também poderão financiar investimentos produtivos, inovação tecnológica e adaptação de produtos.

    Outro objetivo envolve a abertura de novos mercados para reduzir a dependência dos Estados Unidos.

    Assim, empresas afetadas poderão buscar compradores em outros países e reorganizar suas cadeias comerciais.

    O programa também permitirá investimentos destinados à adaptação de processos produtivos.

    Essa possibilidade poderá ajudar exportadores a cumprir regras técnicas e sanitárias exigidas por novos mercados.

    Resposta ao tarifaço

    O governo norte-americano aumentou as tarifas sobre produtos brasileiros durante uma nova rodada de medidas comerciais.

    A decisão ampliou a tensão diplomática entre os governos de Lula e Donald Trump.

    Brasília contesta as sobretaxas e busca alternativas na Organização Mundial do Comércio.

    Ao mesmo tempo, o governo prepara medidas internas para reduzir os impactos sobre empresas e trabalhadores.

    Portanto, o crédito para exportadores funciona como uma resposta econômica, enquanto a diplomacia tenta negociar mudanças nas tarifas.

    Entretanto, empréstimos não eliminam os custos comerciais provocados pela perda de competitividade no mercado norte-americano.

    As empresas precisarão devolver os recursos conforme os contratos firmados.

    Por isso, a efetividade do plano dependerá das condições financeiras e da duração das sobretaxas.

    Conflitos também entram no programa

    A MP amplia o atendimento para exportadores prejudicados por guerras e outras instabilidades internacionais.

    O texto considera, por exemplo, os impactos econômicos do conflito entre Estados Unidos e Irã.

    Essas crises alteram custos de energia, transporte, seguros e circulação de mercadorias.

    Além disso, interrupções em rotas marítimas podem atrasar entregas e encarecer contratos internacionais.

    O governo pretende usar o programa para preservar empregos, produção e presença brasileira no comércio exterior.

    Contudo, os órgãos responsáveis ainda deverão estabelecer prioridades quando a procura superar os recursos disponíveis.

    Disputa no Congresso

    Uma comissão mista, formada por deputados e senadores, analisará a medida antes das votações nos plenários.

    Os parlamentares poderão apresentar emendas até 10 de agosto.

    Depois, a comissão precisará aprovar um parecer sobre o texto.

    A medida provisória tem validade até 19 de setembro.

    Entretanto, entrará em regime de urgência a partir de 5 de setembro caso o Congresso não conclua a votação.

    Nesse cenário, a MP poderá bloquear outras votações na Casa onde estiver tramitando.

    O governo precisará negociar apoio para evitar que a proposta perca validade.

    Além disso, os parlamentares poderão ampliar beneficiários, modificar critérios ou estabelecer novas exigências de transparência.

    Impacto político

    A medida coloca a disputa comercial com os Estados Unidos novamente no centro da agenda do Congresso.

    O governo apresentará o plano como uma proteção aos exportadores e aos empregos ameaçados pelas tarifas.

    Por outro lado, parlamentares poderão questionar os critérios de escolha dos setores e o custo dos juros subsidiados.

    A oposição também poderá cobrar negociações diplomáticas mais efetivas com Washington.

    Assim, o debate envolverá comércio exterior, política fiscal, relações diplomáticas e eleições.

    O tarifaço já aparece nos discursos de Lula e de seus adversários na campanha presidencial.

    Portanto, a votação poderá ganhar dimensão eleitoral durante as próximas semanas.

    Próximos passos

    A comissão mista deverá escolher presidente, vice-presidente e relator.

    Depois, o colegiado analisará as emendas e apresentará uma versão para votação.

    A Câmara e o Senado precisarão aprovar o mesmo texto.

    Caso o Congresso aprove mudanças, o presidente Lula poderá sancionar ou vetar os trechos modificados.

    Enquanto isso, a medida continua produzindo efeitos desde sua publicação.

    Contudo, a continuidade do crédito para exportadores após setembro dependerá da aprovação definitiva pelo Congresso.

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