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    Efeito Cury: avanço do escritor nas pesquisas pressiona Caiado e Zema na corrida presidencial

    Escritor avançou em três pesquisas após sequência de entrevistas na TV e passou a pressionar Caiado, Zema e Renan Santos na disputa pelo terceiro espaço

    O salto de Augusto Cury nas pesquisas abriu um novo capítulo na eleição presidencial de 2026. Em poucos dias, o candidato do Avante deixou o grupo com índices baixos e passou a liderar a disputa pelo espaço fora da polarização entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).

    A mudança ocorre justamente depois de uma semana de forte exposição dos presidenciáveis na televisão.

    Entre 24 e 29 de agosto, a Globo entrevistou Romeu Zema, Ronaldo Caiado, Renan Santos, Lula, Flávio Bolsonaro e Augusto Cury.

    Além disso, o horário eleitoral gratuito começou na sexta-feira (28).

    Para Caiado (PSD) e Zema (Novo), a sequência representava uma oportunidade importante. Ambos tentavam ampliar o conhecimento nacional e se consolidar como alternativa aos dois líderes.

    No entanto, os primeiros levantamentos realizados após essa exposição indicam que Cury foi quem transformou o momento em crescimento eleitoral.

    Salto de Augusto Cury nas pesquisas

    No BTG/Nexus divulgado em 24 de agosto, Cury tinha apenas 2%. Caiado aparecia com 5%, enquanto Zema e Renan Santos registravam 3% cada.

    Uma semana depois, porém, Cury saltou para 11%.

    Enquanto isso, Caiado permaneceu com 5%, Renan continuou com 3% e Zema caiu para 1%.

    A AtlasIntel registrou movimento semelhante.

    Em 29 de julho, Cury tinha 1,6%, contra 7,8% de Renan, 3,1% de Caiado e 2,8% de Zema.

    Já no levantamento divulgado nesta segunda-feira (31), Cury chegou a 7,8%. Caiado marcou 3,3%, Zema ficou com 1% e Renan registrou 7,6%.

    Nesta terça-feira (1º), o Real Time Big Data reforçou a tendência.

    Cury apareceu novamente com 11%, atrás apenas de Lula, com 38%, e Flávio Bolsonaro, com 30%.

    Renan teve 7%, Caiado marcou 4% e Zema apareceu com 2%.

    Comparação com julho

    A comparação dentro do próprio Real Time chama ainda mais atenção.

    Na rodada anterior, realizada em julho, Cury tinha 1%.

    Naquele momento, Caiado registrava 7%, Renan aparecia com 9% e Zema tinha 2%.

    Agora, portanto, Cury ganhou dez pontos no mesmo instituto.

    Por outro lado, Caiado caiu três pontos, Renan perdeu dois e Zema permaneceu estável.

    Assim, o salto de Augusto Cury nas pesquisas não aparece em apenas um levantamento. Três institutos registraram avanço do candidato em suas respectivas comparações.

    Espaço fora da polarização muda

    Os números não permitem afirmar que os votos perdidos por Caiado ou Zema migraram diretamente para Cury.

    Para chegar a essa conclusão, seriam necessários cruzamentos específicos sobre a movimentação dos eleitores.

    Entretanto, as três pesquisas apresentam uma direção semelhante: Cury cresce rapidamente enquanto outros nomes do grupo intermediário permanecem estáveis ou recuam.

    Esse movimento altera a fotografia da disputa fora da polarização.

    Antes, Caiado, Zema e Renan disputavam principalmente quem poderia ocupar o espaço de alternativa a Lula e Flávio.

    Agora, Cury entrou nessa faixa e aparece com dois dígitos em dois levantamentos.

    Distância para Flávio ainda é grande

    Apesar do crescimento, Cury ainda está distante de Flávio Bolsonaro.

    No BTG/Nexus, a diferença entre os dois é de 22 pontos.

    Já na AtlasIntel, a distância chega a 25,9 pontos. No Real Time Big Data, são 19 pontos.

    Portanto, os números ainda não mostram uma disputa direta pela segunda posição.

    O que mudou, até agora, foi a hierarquia entre os candidatos que aparecem atrás de Lula e Flávio.

    Além das pesquisas, Cury também ganhou espaço nas redes sociais.

    O candidato conquistou cerca de 2,5 milhões de seguidores no Instagram em uma semana. A movimentação ocorreu depois do debate da Band e durante a sequência de aparições na televisão.

    Movimento lembra 2014

    Embora as circunstâncias sejam diferentes, o crescimento lembra um fenômeno registrado na eleição presidencial de 2014.

    Naquele ano, Marina Silva assumiu a candidatura do PSB depois da morte de Eduardo Campos em um acidente aéreo.

    Marina começou aquele momento com 21% no Datafolha e, poucos dias depois, alcançou 34%.

    Com isso, chegou a empatar com Dilma Rousseff e deixou Aécio Neves distante, com 15%.

    Depois, entretanto, perdeu força durante a campanha e terminou o primeiro turno na terceira posição.

    O paralelo serve mais como alerta do que como previsão.

    Pesquisas representam o momento da disputa. Por isso, o avanço de Cury ainda precisa aparecer em novas rodadas para indicar se ganhou consistência.

    Por outro lado, uma mudança já ocorreu: o escritor deixou de ser apenas mais um nome do bloco intermediário.

    Assim, seu crescimento passa a entrar no cálculo das demais campanhas e aumenta a pressão principalmente sobre Caiado, Zema e Renan Santos.

    O BTG/Nexus ouviu 2.005 eleitores entre 28 e 30 de agosto, com margem de dois pontos e 95% de confiança. Registro BR-08900/2026. A AtlasIntel entrevistou 5.014 pessoas entre 25 e 30 de agosto, com margem de um ponto e 95% de confiança. Registro BR-07972/2026. Já o Real Time Big Data ouviu 2.000 eleitores entre 27 e 31 de agosto, com margem de dois pontos e 95% de confiança. Registro BR-03490/2026.

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