Três grupos de eleitores podem decidir eleição entre Lula e Flávio
Análise do diretor da Quaest mostra que votos de candidatos derrotados favorecem Flávio, enquanto eleitores que faltaram ou anularam o voto podem beneficiar Lula.
A quatro dias do segundo turno, marcado para domingo (25), três grupos de eleitores podem definir o resultado da eleição presidencial. A avaliação é do cientista político Felipe Nunes, diretor da Quaest, em análise publicada no jornal O Globo nesta quarta-feira (21). Segundo a pesquisa mais recente do instituto, Flávio Bolsonaro (PL) registra 45% das intenções de voto, enquanto Lula (PT) aparece com 44%. A diferença está dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.
A análise considera três movimentos: a fidelidade dos eleitores aos candidatos, a transferência dos votos de quem escolheu outras opções e a possível mobilização de quem não votou ou anulou o voto no primeiro turno.
Fidelidade dos eleitores mantém disputa equilibrada
O primeiro fator é a capacidade de Lula e Flávio de conservar seus eleitores. Segundo a Quaest, 95% dos entrevistados que afirmam ter votado em Lula no primeiro turno pretendem repetir a escolha. Entre os eleitores de Flávio, o índice chega a 94%. Portanto, a transferência direta de votos entre os adversários permanece reduzida.
Esse movimento tem importância porque cada eleitor que muda de candidato altera a diferença entre os dois em dois votos: um a menos para quem perde e outro a mais para quem recebe. Entretanto, os números indicam que nenhum dos candidatos registra, até agora, uma migração expressiva de eleitores do adversário.
Eleitores de outros candidatos favorecem Flávio
O segundo grupo reúne brasileiros que votaram em outros candidatos no primeiro turno, incluindo Ciro Gomes, Ronaldo Caiado, Renan Santos e Romeu Zema. Esse segmento representa aproximadamente 6% dos entrevistados e apresenta uma distribuição favorável ao candidato do PL.
Entre esses eleitores, 43% declaram apoio a Flávio Bolsonaro, enquanto 37% pretendem votar em Lula. Outros 19% afirmam que votarão em branco, nulo ou não comparecerão às urnas. Assim, Flávio mantém uma vantagem de seis pontos percentuais dentro desse grupo. Na avaliação de Felipe Nunes, não há sinais consistentes de uma mudança significativa nessa distribuição antes da votação.
Brancos, nulos e abstenções podem beneficiar Lula
O terceiro grupo concentra uma das principais possibilidades de alteração do resultado. Entre os entrevistados que afirmam ter faltado ou votado em branco ou nulo no primeiro turno, 40% declaram intenção de votar em Lula no segundo. Outros 36% escolhem Flávio Bolsonaro. O levantamento também registra 21% que pretendem votar em branco, nulo ou não comparecer.
Esse segmento corresponde a 21% da amostra, segundo a declaração dos entrevistados sobre o primeiro turno. No entanto, a vantagem numérica de Lula nesse grupo não garante votos efetivos. Para transformar a preferência em resultado, o presidente precisará conquistar eleitores que realmente compareçam às urnas no domingo.
Felipe Nunes também destaca o precedente de 2014, quando Dilma Rousseff superou Aécio Neves na reta final da disputa presidencial. Naquele ano, o número de votos válidos cresceu aproximadamente 1,5 milhão entre os dois turnos, apesar do aumento da abstenção. A queda dos votos brancos e nulos contribuiu para essa mudança. Já em 2022, Jair Bolsonaro reduziu a distância para Lula, mas não conseguiu ultrapassá-lo.
A análise aponta, portanto, que os três grupos de eleitores podem influenciar o resultado, embora nenhum deles permita antecipar o vencedor. Nas estimativas da Quaest, com nível de confiança de 95%, Flávio apresenta intervalo de 43% a 47% das intenções de voto, enquanto Lula registra de 42% a 46%.
A pesquisa Quaest ouviu 2.154 eleitores entre 17 e 20 de outubro de 2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi contratado pela TV Globo e pelo jornal O Globo e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-08535/2026.