Mercosul firma acordo com a Efta
Parceria com Efta cria mercado de 290 milhões de pessoas
O Mercosul firma acordo com a Associação Europeia de Livre Comércio (Efta), em uma decisão considerada histórica para o bloco sul-americano. A cerimônia ocorreu nesta terça-feira (16), no Palácio Itamaraty, no Rio de Janeiro, e reuniu autoridades de ambos os lados. A Efta é composta por Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein.
Novo mercado global
O tratado cria um mercado de 290 milhões de consumidores e soma um PIB de US$ 4,39 trilhões, o que equivale a mais de R$ 23 trilhões em 2024. As negociações começaram em 2017 e avançaram por 14 rodadas até junho de 2025, em Buenos Aires. Além disso, ocorreram justamente quando a Argentina ocupava a presidência do Mercosul.
Multilateralismo em foco
O evento reuniu ministros e diplomatas e reforçou o papel do comércio como instrumento de integração em um cenário de barreiras comerciais crescentes. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem ampliado políticas protecionistas. Dessa forma, o tratado surge como resposta ao aumento das tarifas e à instabilidade global.
O vice-presidente Geraldo Alckmin classificou a assinatura como decisiva:
“Em um mundo de incerteza, damos uma prova de que é possível fortalecer o multilateralismo e o livre comércio.”
Impacto para indústria e agricultura
Segundo o Itamaraty, a Efta eliminará 100% das tarifas de importação em setores industrial e pesqueiro, o que tornará os produtos do Mercosul mais competitivos. Por outro lado, o Mercosul abrirá parte de seu mercado para bens da Efta, mas com salvaguardas para setores sensíveis.
No campo agrícola, surgem oportunidades para carnes, milho, soja, etanol, frutas e café torrado. Assim, o bloco espera aumentar a presença em mercados de alto poder aquisitivo.
Sustentabilidade e inovação
O tratado inclui capítulos sobre investimentos, compras públicas e propriedade intelectual. Além disso, traz compromissos ambientais inéditos. Apenas prestadores de serviços digitais de países com matriz elétrica de pelo menos 67% limpa terão acesso aos benefícios.
O chanceler Mauro Vieira destacou que o acordo simboliza inovação às vésperas da COP30 em Belém. Portanto, a assinatura reforça a integração entre as dimensões econômica, social e ambiental.
Próximos passos
O acordo não entra em vigor de imediato. Antes, precisa ser aprovado por cada país. No Brasil, será traduzido e analisado pelo Congresso Nacional. Enquanto isso, o governo lembra que o Mercosul também negocia tratados com os Emirados Árabes, Canadá, México e Índia, além de já ter fechado um acordo com Singapura em 2023.
União Europeia segue na pauta
Os ministros Alckmin e Mauro Vieira manifestaram otimismo em relação à aprovação do acordo Mercosul-União Europeia ainda este ano. Se aprovado, criará um mercado de mais de 700 milhões de pessoas, equivalente a 26% da economia global. No entanto, a França mantém oposição, alegando falta de exigências ambientais. Lula rebateu afirmando que o país age por protecionismo para proteger seus produtores.