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    Brasil entra em aliança global de IA liderada pela China

    Novo organismo reúne 29 países e coloca acesso à tecnologia, segurança e governança no centro da disputa entre Pequim e Washington.

    O Brasil entrou na aliança global de inteligência artificial criada por iniciativa da China. Representantes de 29 países assinaram o acordo de fundação na quinta-feira (16), em Xangai.

    O grupo recebeu o nome de Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial, conhecida pela sigla WAICO. Além disso, terá sede na cidade chinesa e funcionará como um organismo intergovernamental.

    Segundo nota conjunta do governo brasileiro, a participação envolveu os ministérios das Relações Exteriores, da Ciência, Tecnologia e Inovação e da Gestão. Entretanto, Brasília ainda não detalhou compromissos financeiros ou projetos específicos relacionados à adesão.

    Nova organização

    A WAICO pretende ampliar a cooperação internacional sobre desenvolvimento, aplicação e governança da inteligência artificial. Países da África, Ásia, América Latina e Europa Oriental integram o grupo fundador.

    Além do Brasil e da China, a relação inclui Rússia, Belarus, Sérvia, Cuba e Venezuela. Contudo, a lista tem baixa participação de governos alinhados às iniciativas tecnológicas dos Estados Unidos.

    A China havia proposto a criação do organismo durante a conferência mundial de inteligência artificial de 2025. Agora, o acordo assinado em Xangai transforma a iniciativa em uma estrutura diplomática permanente.

    Por outro lado, a fundação não define sozinha normas obrigatórias para o uso da tecnologia no Brasil. Até o momento, o governo não anunciou mudanças imediatas na legislação nacional por causa da adesão.

    Plano apresentado por Xi

    Na sexta-feira (17), o presidente chinês, Xi Jinping, apresentou as prioridades de Pequim para a nova etapa da cooperação. Ele defendeu maior participação dos países em desenvolvimento nas decisões internacionais sobre inteligência artificial.

    Além disso, Xi anunciou 5 mil vagas em treinamentos e seminários destinados a países em desenvolvimento durante os próximos cinco anos. A China também pretende criar centros de cooperação com o Brics e a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos.

    Outro projeto permitirá que 30 países utilizem o sistema chinês Mazu, voltado à emissão de alertas meteorológicos com inteligência artificial. Entretanto, Pequim ainda não divulgou quais governos receberão a tecnologia.

    Ao mesmo tempo, Xi defendeu sistemas submetidos ao controle humano e mecanismos internacionais de alerta para riscos. Segundo o presidente, a cooperação deverá combinar inovação, segurança e redução da desigualdade tecnológica.

    Disputa entre potências

    A criação da WAICO amplia a competição entre China e Estados Unidos pela definição das regras globais da inteligência artificial. Contudo, Xi não mencionou diretamente Washington em seu discurso.

    Pequim apresenta seus modelos de código aberto e menor custo como ferramentas para reduzir a distância tecnológica entre países. Dessa forma, busca fortalecer sua influência entre governos do chamado Sul Global.

    Os Estados Unidos, por sua vez, lideram iniciativas voltadas à segurança das cadeias de semicondutores, minerais críticos e infraestrutura computacional. O projeto Pax Silica integra essa estratégia e reúne parceiros tradicionais de Washington.

    Além disso, os dois países divergem sobre o grau de regulamentação internacional. Enquanto a China defende uma estrutura multilateral mais ampla, autoridades norte-americanas alertam que regras excessivas podem limitar a inovação.

    Interesse brasileiro

    A participação oferece ao Brasil um novo espaço para defender acesso a tecnologia, formação profissional e redução das desigualdades digitais. Além disso, poderá facilitar projetos conjuntos com países do Brics e da América Latina.

    O governo brasileiro já havia manifestado apoio à criação do organismo em fevereiro. Na ocasião, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que países em desenvolvimento precisavam participar da elaboração das regras internacionais.

    Entretanto, a aproximação com a iniciativa chinesa exigirá equilíbrio diplomático. O Brasil mantém relações econômicas estratégicas com a China, mas também coopera com Estados Unidos e União Europeia em pesquisa, investimentos e transformação digital.

    Agora, a WAICO precisará definir sua estrutura administrativa, seu programa de trabalho e a forma de participação dos membros. Portanto, a influência efetiva do organismo dependerá dos projetos que saírem do acordo assinado em Xangai.

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