Jatinhos, apostas bilionárias e ilha em disputa: os negócios do advogado amigo de Flávio Bolsonaro
Willer Tomaz, próximo do candidato à Presidência, aparece em investigações financeiras, registros de viagens particulares e uma disputa imobiliária envolvendo o jogador Richarlison.
Os negócios de Willer Tomaz, advogado e empresário próximo de Flávio Bolsonaro (PL), ganharam novos desdobramentos nesta terça-feira (20). Uma nota técnica do Ministério da Fazenda aponta que ele movimentou aproximadamente R$ 5 bilhões em apostas eletrônicas durante 2025. Além disso, a Polícia Federal investiga operações financeiras e relações empresariais envolvendo Tomaz, enquanto documentos também registram viagens particulares do senador.
As apurações incluem movimentações na plataforma Blaze, uma conta bancária ligada à empresa Alcazar Holdings e deslocamentos realizados em aeronaves executivas. Paralelamente, uma disputa por uma mansão em Angra dos Reis envolve uma empresa do advogado e o jogador Richarlison. Entretanto, os diferentes episódios possuem naturezas jurídicas distintas, e as suspeitas investigadas ainda não representam comprovação de crimes.
Conta bancária
A relação entre Willer Tomaz e Flávio Bolsonaro aparece em mensagens bancárias identificadas pelos investigadores.
Segundo documentos examinados pela Polícia Federal, o senador figurava como usuário master de uma conta vinculada à Alcazar Holdings, empresa ligada ao advogado. Essa classificação indica um perfil de acesso à conta, mas não comprova, isoladamente, participação societária.
Além disso, registros indicam que houve uma solicitação para desvincular o nome de Flávio da conta em 2025.
A PF passou a examinar se o cadastro poderia indicar uma relação financeira além da amizade reconhecida pelos envolvidos. Contudo, o senador nega participação empresarial e sustenta que seu nome apareceu indevidamente nos registros.
A defesa de Tomaz também contesta as suspeitas e afirma que suas atividades empresariais e financeiras têm origem lícita.
Viagens particulares
Os negócios do advogado amigo de Flávio Bolsonaro também aparecem em registros de contratação de aeronaves executivas.
Em janeiro de 2025, o senador viajou dos Estados Unidos para Brasília em um jatinho utilizado por Willer Tomaz. A aeronave integrava uma estrutura de propriedade compartilhada que envolvia empresas relacionadas ao advogado e à Prime You.
A empresa de aviação também teve Daniel Vorcaro, então controlador do Banco Master, entre seus sócios.
Segundo a defesa, Tomaz custeou o deslocamento com recursos de sua participação na aeronave. Além disso, afirma que Vorcaro não participou da viagem.
Outros registros analisados pela PF identificaram deslocamentos internacionais de Flávio e Tomaz em abril e maio de 2025.
Entre os trajetos estão viagens de Portugal para Nice, na França, e um deslocamento posterior para Paris. Documentos apontam que a Cathedral Holdings, empresa ligada a Tomaz, participou da contratação dos serviços aéreos.
Por sua vez, o advogado afirma que pagou pessoalmente pelas viagens de lazer entre amigos e familiares. Flávio também nega qualquer contrapartida ou vínculo empresarial decorrente dos deslocamentos.
Apostas bilionárias
O Ministério da Fazenda identificou aproximadamente R$ 5 bilhões em apostas realizadas por Willer Tomaz durante 2025.
Segundo nota técnica da Secretaria de Prêmios e Apostas, o empresário apresentou o maior volume de depósitos em plataformas autorizadas no país naquele período.
Entretanto, os R$ 5 bilhões não representam o valor efetivamente depositado pelo apostador. A quantia inclui apostas sucessivas feitas com recursos ganhos, perdidos e reutilizados nas próprias plataformas.
O documento também registra cerca de R$ 350 milhões na soma de depósitos e saques. Além disso, aponta mais de R$ 200 milhões em retiradas ao longo do ano.
A maior parte das movimentações ocorreu na Blaze, empresa que também passou a enfrentar questionamentos sobre seus mecanismos de fiscalização.
Entre as operações identificadas estão depósitos que somaram R$ 7 milhões em um único dia.
Diante desses registros, a Polícia Federal investiga se apostas e transferências financeiras poderiam ter servido para ocultar a origem de recursos.
A investigação também examina a hipótese de Willer Tomaz manter participação societária não declarada na plataforma. No entanto, o advogado nega qualquer vínculo empresarial com a Blaze.
Tomaz afirma que seus recursos são lícitos e declarados à Receita Federal. Além disso, questiona os valores atribuídos a ele e rejeita as suspeitas de lavagem de dinheiro.
A empresa responsável pela Blaze também nega práticas ilícitas e sustenta que atua dentro das regras brasileiras.
Disputa em Angra
Outra controvérsia envolvendo o advogado diz respeito a uma mansão na Ilha Comprida, em Angra dos Reis, no litoral do Rio de Janeiro.
O atacante Richarlison, do Tottenham, afirma ter investido aproximadamente R$ 10 milhões no imóvel entre 2020 e 2021. Segundo o jogador, o investimento ocorreu em parceria com outros empresários.
Entretanto, uma disputa judicial pela posse terminou com o imóvel sob controle da WT Administração de Imóveis, empresa vinculada a Willer Tomaz.
Richarlison acusa o advogado e Flávio Bolsonaro de envolvimento em manobras para retirar sua posse. Em manifestações públicas, o atleta também pediu que a Polícia Federal examine o episódio.
Por outro lado, Flávio nega participação na aquisição ou transferência da propriedade. Segundo sua assessoria, ele não comprou, vendeu nem intermediou o imóvel, tendo sido apenas indicado como testemunha.
A disputa percorreu diferentes instâncias judiciais. Posteriormente, em 2025, o processo terminou sem análise definitiva do mérito após a desistência de uma das partes.
Willer Tomaz sustenta que a aquisição ocorreu legalmente e contesta os direitos reivindicados pelo jogador. Além disso, desafiou Richarlison a apresentar documentos que comprovem sua ligação jurídica com a propriedade.
Investigações e defesas
As apurações financeiras relacionadas a Willer Tomaz alcançaram o Supremo Tribunal Federal após a identificação de possíveis conexões com pessoas detentoras de foro por prerrogativa de função.
Segundo reportagens sobre o caso, a Polícia Federal examina registros bancários, operações empresariais e viagens. A campanha de Flávio Bolsonaro, entretanto, questiona o estágio processual das medidas e nega que os documentos comprovem irregularidades cometidas pelo senador.
A existência de uma investigação também não significa que todos os episódios envolvendo o advogado façam parte do mesmo procedimento.
Além disso, a disputa imobiliária com Richarlison possui histórico judicial próprio, diferente das apurações financeiras sobre apostas e movimentações bancárias.
Até o momento, os fatos divulgados não demonstram, por si só, participação criminosa comprovada de Flávio Bolsonaro nas operações investigadas.
As investigações continuam, enquanto os envolvidos contestam as acusações e defendem a legalidade de suas atividades.