Eleições nos EUA são nesta terça: o que está em jogo para Trump e quando começa a apuração no Brasil
Votação pode mudar o controle do Congresso americano; primeiros estados fecham as urnas às 20h, pelo horário de Brasília.
Os Estados Unidos realizam nesta terça-feira (3) as eleições de meio de mandato, uma votação que definirá o controle do Congresso americano durante os dois últimos anos do governo Donald Trump. Os eleitores vão renovar as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes, escolher 35 senadores e eleger governadores em 36 estados. Para o público brasileiro, os primeiros resultados começarão a surgir a partir das 20h, pelo horário de Brasília.
Conhecidas como midterms, essas eleições acontecem no meio do mandato presidencial. Trump não estará na disputa, mas o resultado poderá alterar sua relação com o Legislativo. Atualmente, os republicanos controlam as duas Casas do Congresso, enquanto os democratas tentam conquistar a maioria e ampliar seu poder de fiscalização sobre a Casa Branca.
Congresso em disputa
Na Câmara dos Representantes, os republicanos chegam à eleição com 218 parlamentares, contra 214 democratas, além de um independente alinhado aos republicanos e duas vagas abertas. No Senado, a divisão é de 53 cadeiras para os republicanos e 47 para os democratas e independentes aliados.
Uma mudança na composição do Congresso poderá afetar a aprovação de leis, as negociações orçamentárias e a fiscalização do governo. Além disso, uma maioria de oposição na Câmara permitiria aos democratas assumir o comando de comissões parlamentares e ampliar investigações sobre a administração Trump.
Por outro lado, a manutenção das maiorias republicanas facilitaria a continuidade das prioridades legislativas do presidente. Entre os principais temas estão impostos, imigração, gastos federais e segurança nacional.
Últimas pesquisas
As pesquisas divulgadas na reta final registram maior preferência nacional por candidatos democratas, embora os percentuais variem conforme o instituto.
Uma pesquisa Reuters/Ipsos, concluída nesta segunda-feira (2), mostra 46% de preferência pelos democratas e 38% pelos republicanos na disputa nacional pelo Congresso. O levantamento também registra 32% de aprovação ao governo Trump.
Já a AtlasIntel, em pesquisa realizada entre 28 de outubro e 1º de novembro, aponta 55,5% para os democratas e 41,4% para os republicanos. A diferença chega a 14,1 pontos percentuais.
Entretanto, esses números não representam a quantidade de cadeiras que cada partido conquistará. Nos Estados Unidos, os deputados são escolhidos em disputas distritais, enquanto os senadores são eleitos por estado. Dessa forma, a preferência nacional pode não corresponder à composição final do Congresso.
Estados para acompanhar
As disputas pelo Senado em Texas, Michigan, Maine, Kansas, Ohio, Carolina do Norte, Iowa e Alasca estão entre as acompanhadas de perto pela imprensa americana.
No Texas, o democrata James Talarico enfrenta o republicano Ken Paxton. Já em Michigan, Abdul El-Sayed disputa uma vaga contra Mike Rogers. No Maine, a senadora republicana Susan Collins tenta conquistar mais um mandato diante do democrata Troy Jackson.
O resultado dessas disputas terá importância na definição do controle do Senado. Além disso, as eleições estaduais poderão modificar a distribuição de poder entre democratas e republicanos fora de Washington.
Votação antecipada
A participação eleitoral já registra números expressivos. Segundo dados da Universidade da Flórida divulgados pela Reuters, mais de 57 milhões de americanos haviam votado antecipadamente até esta segunda-feira (2).
O volume supera os aproximadamente 46 milhões de votos antecipados registrados nas eleições legislativas de 2022. Entretanto, a participação antecipada não revela quais candidatos receberam esses votos.
Nos Estados Unidos, os eleitores podem votar presencialmente antes do dia oficial ou utilizar cédulas enviadas pelo correio, conforme as regras de cada estado.
Que horas começa a apuração no Brasil?
Diferentemente do Brasil, os Estados Unidos não possuem um horário nacional único para o encerramento da votação. Cada estado estabelece suas regras, e a divulgação dos resultados ocorre gradualmente.
Pelo horário de Brasília, as primeiras urnas começam a fechar às 20h desta terça-feira, em partes de Indiana e Kentucky.
Às 21h, a votação termina na Geórgia e em outros estados do leste americano. Às 21h30, será a vez de Carolina do Norte e Ohio, que também possuem disputas importantes pelo Senado.
A partir das 22h, a atenção se volta para estados como Texas, Michigan, Maine e Kansas. Em algumas localidades, porém, a votação continuará até as 23h. Os estados do oeste terão encerramentos ainda mais tarde, incluindo Califórnia e Washington, à 1h da madrugada de quarta-feira (4), pelo horário brasileiro.
Os primeiros números poderão aparecer pouco depois do fechamento das urnas. Entretanto, a definição das disputas mais apertadas poderá demorar horas ou dias.
Por que importa para o Brasil?
O resultado das eleições americanas também interessa diretamente ao Brasil, especialmente nas áreas de comércio exterior, economia e diplomacia.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), medidas tarifárias adotadas pelos Estados Unidos em 2026 alcançaram 23,1% das exportações brasileiras, tomando como referência a distribuição das vendas de 2024. No primeiro semestre deste ano, as exportações brasileiras para os americanos caíram 13% em relação ao mesmo período de 2025.
Uma mudança no Congresso não revoga automaticamente as tarifas estabelecidas pelo Executivo americano. Entretanto, poderá modificar o ambiente de negociação e fiscalização das políticas comerciais, além de influenciar os debates sobre relações internacionais, sanções e gastos militares.
A política externa de Trump, incluindo a guerra contra o Irã e a posição dos Estados Unidos diante da Rússia e da Ucrânia, também integra o debate eleitoral.
Quando sai o resultado?
A divulgação das primeiras projeções poderá ocorrer ainda na noite de terça-feira, mas nem todas as disputas terão definição imediata. Nos Estados Unidos, os estados adotam diferentes procedimentos para processar votos por correspondência, realizar recontagens e certificar resultados.
Por isso, é importante distinguir a quantidade de votos já contabilizados das projeções feitas por veículos de imprensa. Um candidato poderá aparecer numericamente à frente sem que a Justiça eleitoral estadual tenha concluído a apuração.
No Alasca, por exemplo, a contagem das preferências adicionais dos eleitores, quando necessária, está programada para 18 de novembro.