Influenciador é detido após denunciar retirada de ossadas em Rio Verde
Wesley Suspencar questionava procedimentos no Cemitério São Sebastião; Prefeitura diz que ação segue lei municipal e PM afirma que houve comportamento agressivo
A detenção do influenciador em Rio Verde Wesley Suspencar e de um advogado que o acompanhava chamou atenção nesta terça-feira (26). O episódio ocorreu depois que Wesley passou a divulgar vídeos com denúncias sobre uma suposta irregularidade no Cemitério Municipal São Sebastião.
Denúncia
O caso ganhou força antes da abordagem policial. Na semana anterior, o influenciador havia publicado imagens em que dizia mostrar restos mortais retirados de sepulturas e colocados em contêineres.
Segundo Wesley, o procedimento ocorria sem comunicação adequada às famílias. Além disso, ele levantou suspeita de que a retirada das ossadas abriria espaço para novos jazigos.
Abordagem
Na terça-feira, Wesley voltou ao cemitério para gravar um novo vídeo. Durante a gravação, policiais militares chegaram ao local e determinaram a interrupção das imagens.
Em seguida, o influenciador foi conduzido à delegacia. O advogado que o acompanhava também acabou detido depois, já na porta da unidade policial, enquanto filmava a chegada do cliente.
Versões
A defesa afirma que o advogado foi impedido de registrar a ocorrência e teria sido agredido durante a ação. No entanto, a alegação apresentada contra ele foi de suposto desacato.
Já a Polícia Militar informou, em nota, que Wesley apresentou comportamento agressivo e ofendeu servidores no local.
Prefeitura
A Prefeitura de Rio Verde também se manifestou. Em nota, disse que os procedimentos no cemitério seguem a Lei Municipal nº 7.334, de 30 de março de 2023, que autoriza a criação do ossário municipal.
Segundo a gestão, a medida vale para sepulturas abandonadas, não identificadas ou sem manutenção adequada há mais de cinco anos.
Edital
Ainda conforme a Prefeitura, antes das remoções houve a publicação do Edital nº 001/2025. O documento convocou familiares e responsáveis a atualizar cadastros e regularizar sepulturas no prazo de 90 dias.
O município afirma que apenas após o fim desse prazo, sem manifestação dos responsáveis, os jazigos passaram a ser considerados abandonados.
Controvérsia
A nota da Prefeitura explica o procedimento administrativo, mas não encerra a controvérsia. Isso porque o ponto mais sensível do caso está na forma como uma denúncia em espaço público terminou com a condução de um influenciador e de um advogado à delegacia.
Com isso, o caso do influenciador detido em Rio Verde deixou de ser apenas uma discussão sobre a gestão do cemitério. Também passou a envolver transparência, fiscalização e os limites da atuação policial diante de denúncias feitas por cidadãos.