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    Einstein Paniago lidera resgate de “Nova China” e destaca legado intelectual de Domingos Vellasco

    Publicada originalmente em 1960, obra de Domingos Vellasco retorna às livrarias após décadas fora de circulação

    O professor e economista Einstein Paniago coordenou a curadoria e a organização da nova edição de “Nova China”, livro escrito pelo ex-senador goiano Domingos Netto de Vellasco.

    Publicada originalmente em 1960, a obra permaneceu fora de circulação durante décadas. Agora, a Fundação João Mangabeira relança o livro como parte da Coleção Equidade e Liberdade.

    A iniciativa recupera obras que contribuíram para a formação do pensamento político e democrático brasileiro. Além disso, o projeto busca aproximar esses textos de novas gerações de leitores.

    O Instituto Histórico e Geográfico de Goiás, o IHGG, recebeu o lançamento em Goiânia. Na ocasião, pesquisadores, empresários, autoridades e representantes da sociedade civil participaram do encontro.

    Obra resgatada

    Para Einstein Paniago, a nova edição representa mais do que o retorno de um livro ao mercado editorial. Segundo ele, o projeto também recupera parte da memória política e intelectual de Goiás.

    “Mais do que reeditar um livro, estamos recuperando uma parte importante da memória política de Goiás. Domingos Vellasco foi um homem à frente do seu tempo”, afirmou.

    Além disso, Paniago destacou que o livro oferece uma análise equilibrada sobre um período de profundas mudanças na história mundial.

    Segundo o professor, algumas obras permanecem atuais mesmo depois de várias décadas. Nesse sentido, “Nova China” ajuda o leitor a compreender o processo que levou o país asiático a ocupar uma posição central na economia e na geopolítica mundial.

    “O livro envelheceu apenas cronologicamente. O olhar de Domingos Vellasco continua extremamente atual”, declarou.

    Legado de Vellasco

    Domingos Vellasco ficou conhecido por sua atuação política e pela participação na fundação do Partido Socialista Brasileiro, o PSB. No entanto, sua produção intelectual alcançou menor circulação ao longo das últimas décadas.

    Por isso, a reedição também busca apresentar ao público outra dimensão da trajetória do ex-senador. Vellasco escreveu sobre transformações políticas, sociais e econômicas do século XX.

    Ao mesmo tempo, o autor analisou os reflexos desses processos para o Brasil.

    O editor Sandro Bello afirmou que apresentou o projeto a Einstein Paniago por reconhecer o trabalho do professor na preservação da memória política de Goiás.

    Segundo Bello, Paniago acolheu a proposta e assumiu a curadoria do livro. Dessa forma, a equipe iniciou o processo para colocar novamente a obra em circulação.

    “Ele compreendeu imediatamente a importância de reeditar ‘Nova China’ e assumiu a curadoria da obra com o cuidado necessário”, afirmou o editor.

    China em transformação

    Domingos Vellasco escreveu “Nova China” depois de visitar o país asiático poucos anos após a Revolução Chinesa de 1949.

    Na obra, o ex-senador registra encontros com Mao Tsé-Tung. Além disso, apresenta reflexões sobre planejamento econômico, reforma agrária, cooperativismo, combate à fome e desenvolvimento social.

    Vellasco também procurou evitar as interpretações rígidas que marcaram o período da Guerra Fria. Em um dos trechos destacados, o autor afirma que a China não representava “nem o paraíso, nem o inferno”.

    Ao mesmo tempo, ele esclarece que não pretendia produzir propaganda política. O autor também registra sua admiração pelas instituições democráticas dos Estados Unidos.

    Para Paniago, essa postura amplia a importância do livro em um cenário marcado pela polarização. Segundo ele, compreender a China atual exige conhecer o processo histórico que transformou o país.

    Relação com o Brasil

    Einstein Paniago também defendeu que a leitura não interessa apenas ao meio acadêmico. Na avaliação dele, empresários, gestores públicos e profissionais que acompanham as relações entre Brasil e China também podem encontrar informações relevantes na obra.

    “As relações econômicas são resultado de processos históricos. Conhecer a formação da China amplia nossa capacidade de compreender a parceria que o país mantém hoje com o Brasil e com Goiás”, afirmou.

    Além disso, Paniago destacou o simbolismo de realizar o lançamento em Goiás, estado natal de Domingos Vellasco. Para ele, a iniciativa aproxima o legado do ex-senador da sociedade goiana.

    A Fundação João Mangabeira pretende ampliar a Coleção Equidade e Liberdade. Assim, o projeto deverá recuperar outros autores que participaram da formação do pensamento político brasileiro.

    O evento contou com a presença do presidente do IHGG, Jales Mendonça, da ex-ministra Erenice Alves Guerra e do subsecretário estadual Danilo Arraes.

    Por fim, professores, escritores, advogados, empresários e representantes do setor produtivo e da comunidade acadêmica também acompanharam o lançamento.

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