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    El Niño 2026 pode ser muito forte e agravar seca em Goiás

    Primeiro boletim do governo prevê calor acima da média, risco maior de incêndios e impactos sobre pastagens e lavouras no Centro-Oeste

    O El Niño 2026 tem mais de 90% de probabilidade de permanecer ativo até, pelo menos, o início de 2027. Além disso, o fenômeno pode alcançar intensidade muito forte entre a primavera e o verão deste ano, segundo o primeiro boletim do Painel El Niño 2026-2027.

    O documento foi elaborado por órgãos como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e o Cemaden. O grupo também reúne o Serviço Geológico do Brasil e a Defesa Civil Nacional.

    Segundo o boletim, um El Niño é classificado como muito forte quando o aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial supera 2°C. Em junho, áreas próximas à costa da América do Sul já apresentavam desvios de temperatura superiores a esse patamar.

    Calor e chuvas irregulares

    Para o trimestre entre julho e setembro de 2026, os meteorologistas preveem chuvas acima da média em parte da Região Sul. Por outro lado, o centro-norte do Brasil deve registrar volumes abaixo do normal.

    Ao mesmo tempo, grande parte do país pode enfrentar temperaturas superiores à média histórica. Dessa forma, cresce o risco de novas ondas de calor, principalmente na faixa central do território brasileiro.

    Além disso, a combinação entre temperaturas elevadas, pouca chuva e baixa umidade pode favorecer incêndios florestais. O alerta vale especialmente para áreas do Centro-Oeste, Norte e Nordeste.

    Atenção para Goiás

    Em Goiás, o boletim chama atenção para o avanço da seca. Em maio, áreas do sul goiano já apresentavam condições de seca moderada ou severa.

    Entre abril e maio, 66 municípios brasileiros passaram para a classificação de seca severa. Goiás e Minas Gerais concentraram mais da metade dessas ocorrências, segundo os dados do Cemaden reunidos no documento.

    No Centro-Oeste, o tempo mais seco pode beneficiar a colheita do milho segunda safra, do algodão e da cana-de-açúcar. No entanto, o calor mais intenso pode ampliar a deficiência hídrica no fim da estação seca.

    Como consequência, pastagens, reservatórios usados pela pecuária e o preparo da próxima safra podem ser prejudicados. Por isso, produtores rurais deverão acompanhar as atualizações climáticas durante os próximos meses.

    Rios e reservatórios

    Apesar dos riscos, os principais reservatórios brasileiros ainda operam próximos da normalidade. Em 25 de junho, o volume armazenado no Sistema Interligado Nacional correspondia a 77,5% da capacidade útil.

    Entretanto, a ANA recomenda atenção contínua aos rios e reservatórios. Isso ocorre porque o fortalecimento do El Niño pode alterar rapidamente o regime de chuvas em diferentes regiões do país.

    Monitoramento mensal

    O Painel El Niño 2026-2027 terá atualizações mensais. A iniciativa pretende reunir previsões sobre clima, agricultura, recursos hídricos e riscos de desastres.

    Assim, estados e municípios poderão usar as informações para organizar ações preventivas. A Defesa Civil também recomenda que a população acompanhe alertas oficiais, principalmente durante episódios de calor extremo, incêndios, enchentes ou deslizamentos.

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