Tarifaço dos EUA empurra Brasil para megaobra logística chinesa no Porto de Santos
Cofco amplia investimentos e promete entrega da maior expansão até 2026
A guerra tarifária entre Estados Unidos e China está redesenhando os fluxos do comércio mundial — e o Brasil virou peça central nesse tabuleiro. Retaliada com tarifas de até 50% pelo governo do atual presidente dos EUA, Donald Trump, a China acelerou a busca por novos parceiros agrícolas. O reflexo direto desse movimento acontece no Porto de Santos, onde a estatal Cofco International realiza a maior ampliação logística de sua história no Brasil.
Megaobra no STS11
Com investimento de US$ 285 milhões (cerca de R$ 1,6 bilhão), a Cofco inaugurou a primeira fase de seu novo terminal no Porto de Santos, no STS11. A previsão é concluir a expansão em 2026, triplicando a capacidade de exportação das atuais 4,5 milhões para 14,5 milhões de toneladas anuais.
A área de 98 mil metros quadrados, na Margem Direita, foi arrendada por 25 anos, com possibilidade de prorrogação de até 70 anos. Desde 2022, quando venceu o leilão, a Cofco demoliu antigas estruturas de empresas como Bracel, Rodrimar, Eldorado e Cereal Sul para abrir espaço ao novo complexo.
China ganha terreno, Brasil muda de rumo
De acordo com o diretor de Operações da Cofco International, Sérgio Ferreira, o Porto de Santos se tornou o “carro-chefe” da companhia no Brasil. A unidade será responsável pelo embarque de soja, milho, farelo e açúcar — os principais produtos agrícolas da empresa.
Atualmente, 90% das exportações da Cofco têm como destino a China. A tendência é de que essa concentração aumente nos próximos anos, consolidando ainda mais a dependência brasileira do mercado chinês. Ao mesmo tempo, o tarifaço dos EUA deixou o Brasil sem alternativa senão aprofundar os laços com Pequim.
A maior ampliação logística da estatal chinesa no Brasil
A obra no Porto de Santos não é apenas mais um investimento estrangeiro. Trata-se da maior expansão logística já realizada pela Cofco no país — um marco que evidencia como a guerra comercial com os EUA acabou empurrando o Brasil para os braços da China.
Se, por um lado, a infraestrutura garante maior capacidade de escoamento da safra, por outro, reforça a dependência de um único comprador: a potência asiática que dita o ritmo do agronegócio brasileiro.