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    Macron reconduz Lecornu e tenta conter crise política na França

    O presidente Emmanuel Macron surpreendeu a França nesta sexta-feira (10) ao reconduzir Sébastien Lecornu ao cargo de primeiro-ministro — apenas dias depois de ele próprio ter renunciado. A decisão surge em meio a uma profunda crise política, marcada por disputas no Parlamento e pela dificuldade do governo em aprovar o Orçamento de 2026.

    Lecornu, de 39 anos, justificou o retorno dizendo ter aceitado o convite “por dever”. Além disso, afirmou que deseja “pôr fim à instabilidade que deixa os franceses agoniados”. A fala reflete o clima tenso que domina Paris desde o colapso do gabinete anterior. Dessa forma, Macron tenta acalmar um cenário político que se tornou imprevisível.


    Um retorno que expõe o desgaste de Macron

    A recondução de Lecornu é vista como uma aposta arriscada de Macron. O presidente tenta equilibrar governabilidade e imagem pública em um momento em que sua popularidade vem caindo. Além disso, o gesto revela o isolamento político do Palácio do Eliseu. Poucos aliados se mostraram dispostos a assumir o cargo em meio à turbulência.

    Lecornu havia deixado o posto poucos dias antes, pressionado por partidos de oposição e até por alas do centro, que criticaram o rumo da política econômica. Agora, seu retorno foi recebido com frieza — e até ironia — tanto pela esquerda quanto pela extrema-direita. Ainda assim, o governo insiste na continuidade como forma de preservar estabilidade.


    Tempestade no Parlamento

    O ambiente político em Paris continua explosivo. A França Insubmissa, de Jean-Luc Mélenchon, e o Reagrupamento Nacional, de Marine Le Pen, anunciaram que vão apresentar moções de censura contra o novo governo. Se aprovadas, essas moções podem derrubar Lecornu antes mesmo de o Orçamento chegar à votação.

    Enquanto isso, a oposição acusa Macron de insistir em “mais do mesmo” e de ignorar o recado das urnas. Nas eleições legislativas, os franceses demonstraram claramente o cansaço com o modelo atual de governo. A esquerda fala em “um governo de sobrevivência”. A direita, em “um governo zumbi”. Assim, o país parece caminhar em um fio tênue entre estabilidade e colapso.


    Tentativa de normalizar o caos

    Apesar das críticas, Macron ainda aposta na continuidade administrativa. A escolha de Lecornu, um político jovem, moderado e leal, tenta transmitir sensação de equilíbrio. Além disso, o Palácio do Eliseu acredita que ele pode costurar acordos pontuais no Parlamento para garantir a aprovação do Orçamento de 2026 — e evitar uma nova crise institucional.

    No entanto, o desafio é enorme. Analistas políticos afirmam que o presidente vive um dos momentos mais frágeis de seus dois mandatos. O impasse legislativo, somado ao aumento do custo de vida, vem alimentando o descontentamento popular. Dessa forma, qualquer passo em falso pode reacender os protestos que marcaram a França nos últimos anos.


    O desafio de governar sem maioria

    Sem maioria parlamentar desde 2022, Macron depende de negociações caso a caso para aprovar medidas. Além disso, há o risco de recorrer novamente ao artigo 49.3 da Constituição, que permite aprovar leis sem votação. Essa saída, porém, é amplamente impopular e costuma ser interpretada como autoritária.

    Enquanto isso, o novo-velho primeiro-ministro tenta adotar um tom conciliador. “A França precisa de calma, trabalho e coragem. É hora de olhar para frente”, disse Lecornu ao deixar o Palácio do Eliseu. Por fim, mesmo com o discurso de serenidade, o país segue dividido — e longe da calma que o governo promete.

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