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    Golpe militar em Madagascar derruba presidente Rajoelina

    Jovens lideram manifestações contra corrupção e apagões; exército se recusa a reprimir o povo, e Rajoelina deixa o país em avião militar francês.

    Golpe militar em Madagascar começa com protestos da Geração Z

    Madagascar vive um de seus momentos mais turbulentos das últimas décadas. Desde setembro, o país enfrenta protestos massivos liderados por jovens inconformados com a corrupção, o desemprego e os apagões. Como resultado, o presidente Andry Rajoelina perdeu o poder e fugiu em um avião militar francês.

    Os protestos começaram em 25 de setembro, com o movimento “Gen Z Madagascar”, e se espalharam rapidamente pelas principais cidades. No início, a revolta era motivada pela precariedade dos serviços básicos e pelo alto custo de vida. Com o passar dos dias, o movimento ganhou força política e se transformou em um grande levante nacional contra o governo.


    Juventude nas ruas durante o golpe militar em Madagascar

    A juventude foi o motor da mobilização. Boa parte dos manifestantes tem menos de 25 anos e enfrenta o desemprego ou sobrevive com salários baixos. Nas ruas da capital, Antananarivo, símbolos da cultura pop se misturaram à indignação popular. Bandeiras de anime, como as da série One Piece, se tornaram parte dos atos que pediam o fim da corrupção.

    Além disso, os protestos mostraram a criatividade e a coragem dessa geração. Um jovem de 22 anos contou à Reuters que ganha cerca de 300 mil ariary por mês (aproximadamente US$ 67) e mal consegue pagar pela comida. “O governo enriqueceu enquanto o povo passa fome”, disse ele. Esse sentimento, segundo especialistas, ajudou a unir jovens e trabalhadores sob uma mesma causa.


    Exército muda de lado e consolida o golpe militar em Madagascar

    A virada decisiva aconteceu quando o CAPSAT, unidade de elite do Exército — a mesma que havia ajudado Rajoelina a chegar ao poder em 2009 — se recusou a atirar contra os manifestantes. Dessa forma, o grupo rompeu com o governo e anunciou apoio ao povo, o que fez o presidente perder completamente o controle das ruas.

    Com a deserção do CAPSAT, outras tropas seguiram o mesmo caminho. Isolado e pressionado, Rajoelina tentou dissolver o Parlamento para impedir o impeachment, mas os deputados rejeitaram o decreto e confirmaram sua destituição. Logo depois, ele deixou o país.

    Poucas horas depois, ele embarcou rumo ao exílio com apoio do governo francês. O presidente Emmanuel Macron autorizou o uso de uma aeronave militar para a fuga, após Rajoelina afirmar que estava sob ameaça de morte.


    Militares assumem o poder após golpe em Madagascar

    Após a fuga, as Forças Armadas assumiram o comando do país. O coronel Michael Randrianirina, líder do CAPSAT, anunciou a criação de um conselho de transição e prometeu eleições em até dois anos. Enquanto isso, o Parlamento manteve o impeachment e garantiu a continuidade institucional.

    Segundo a ONU, ao menos 22 pessoas morreram desde o início dos protestos. Por outro lado, líderes comunitários afirmam que o número pode ser ainda maior.


    Consequências do golpe militar em Madagascar

    Madagascar tem cerca de 30 milhões de habitantes e é um dos países mais pobres do mundo. Três em cada quatro pessoas vivem abaixo da linha da pobreza, e a idade média da população é inferior a 20 anos.

    Além disso, o país enfrenta décadas de instabilidade política. Desde a independência, em 1960, nenhum governo conseguiu estabilidade duradoura. Assim, a economia encolheu e o PIB per capita caiu quase pela metade. Agora, com o golpe militar, cresce o medo de que a esperança de mudança se transforme em mais um ciclo de autoritarismo e miséria.


    Golpe militar em Madagascar preocupa comunidade internacional

    Organismos internacionais pedem uma transição pacífica e eleições livres. A União Africana e a ONU alertaram que podem impor sanções caso os militares permaneçam no poder por muito tempo.

    Por fim, nas ruas, os jovens seguem gritando por uma “nova república”, exigindo um governo que finalmente ouça a geração que cresceu entre apagões e promessas vazias.

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