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    Por que os Estados Unidos ainda votam em papel, enquanto o Brasil usa urnas eletrônicas?

    Às vésperas das eleições de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro, diferenças na organização eleitoral e na forma de auditar os votos explicam os sistemas adotados pelos dois países.

    Os Estados Unidos realizam, na próxima terça-feira (3), as eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms. Enquanto o Brasil utiliza urnas eletrônicas para registrar e contabilizar os votos, os americanos mantêm um sistema no qual o papel ocupa papel central. A diferença está relacionada à autonomia dos estados, à tradição eleitoral e à preferência por registros físicos que permitam conferir os resultados.

    Ao contrário do Brasil, os Estados Unidos não possuem uma Justiça Eleitoral nacional equivalente ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Cada um dos 50 estados estabelece suas próprias regras e organiza as eleições com autoridades locais. Por isso, os métodos de votação variam pelo país. Em algumas regiões, os eleitores preenchem cédulas manualmente. Em outras, utilizam equipamentos eletrônicos que imprimem os votos ou scanners que fazem a leitura das cédulas.

    Papel continua predominante

    Apesar da imagem de um sistema ultrapassado, os Estados Unidos utilizam amplamente a tecnologia na votação. Segundo a Comissão de Assistência Eleitoral dos Estados Unidos (EAC), mais de 98% das jurisdições eleitorais adotaram, em 2024, sistemas com cédulas de papel ou registros físicos auditáveis. Assim, o material pode ser utilizado em recontagens e verificações posteriores. A manutenção desse registro também reflete a preocupação histórica com a transparência das eleições e a desconfiança de parte da sociedade em relação às instituições públicas.

    Outro fator é a complexidade das cédulas americanas. Além de escolher deputados e senadores, os eleitores podem votar para governador, prefeito, xerife, juiz e outras funções públicas, conforme o estado e a localidade. Algumas eleições também incluem consultas sobre impostos, obras públicas e legalização da maconha. Dessa forma, uma única cédula pode reunir dezenas de escolhas, o que torna o processo bastante diferente do modelo brasileiro.

    Diferenças com o Brasil

    No Brasil, a urna eletrônica registra os votos digitalmente e segue um sistema nacional padronizado pela Justiça Eleitoral. Embora não produza comprovantes individuais em papel, o equipamento possui mecanismos próprios de fiscalização e auditoria, incluindo registros digitais, testes de integridade e boletins de urna. Portanto, a principal diferença entre os dois países está na forma de registrar, conferir e auditar os votos, e não simplesmente no uso ou na ausência de tecnologia.

    Nas eleições de 3 de novembro, os americanos vão renovar as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e aproximadamente um terço do Senado. Também haverá disputas estaduais e locais, conforme a legislação de cada estado.

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