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    Brasil adia aval a embaixador indicado por Trump

    Nome avançou no Senado dos Estados Unidos, mas a posse depende do agrément brasileiro previsto pela Convenção de Viena

    A nomeação de Daniel Perez como embaixador dos Estados Unidos em Brasília ainda não recebeu a autorização do governo brasileiro.

    Donald Trump indicou o político em 1º de junho.

    Segundo a Reuters, o governo brasileiro analisa há semanas o chamado agrément. Sem essa autorização, Perez não poderá assumir o posto diplomático.

    Contudo, a demora não representa uma rejeição definitiva. O Ministério das Relações Exteriores afirma que o procedimento possui caráter confidencial.

    O que é o agrément

    O agrément representa a concordância do país anfitrião com o nome escolhido para comandar uma embaixada.

    A Convenção de Viena determina que o governo responsável pela indicação obtenha essa aprovação antes do credenciamento.

    Além disso, o país anfitrião não precisa justificar uma eventual recusa.

    A convenção também não estabelece prazo para a resposta. Portanto, Brasília pode continuar analisando o nome antes de anunciar uma decisão.

    Segundo fontes ouvidas pela Reuters, os Estados Unidos anunciaram Perez antes de solicitar o agrément brasileiro.

    Integrantes do governo Lula interpretaram essa sequência como uma quebra do protocolo diplomático.

    Entretanto, o Itamaraty não confirmou publicamente essa avaliação.

    Indicação avança nos EUA

    Trump enviou formalmente a indicação de Daniel Perez ao Senado norte-americano em 1º de junho.

    Perez ocupa uma cadeira na Câmara da Flórida e mantém proximidade política com o secretário de Estado, Marco Rubio.

    Em 16 de julho, ele participou de uma audiência no Comitê de Relações Exteriores do Senado.

    Depois, o colegiado aprovou sua indicação por 13 votos contra oito.

    Agora, o plenário do Senado precisa examinar o nome.

    Contudo, mesmo uma aprovação não permitirá sua posse sem a concordância brasileira.

    Durante a audiência, Perez afirmou que pretende fortalecer a cooperação comercial e de segurança.

    Além disso, colocou as eleições brasileiras entre suas prioridades iniciais.

    Brasília mantém análise

    Segundo duas autoridades brasileiras ouvidas pela Reuters, o governo realiza as verificações usuais sobre o indicado.

    Uma delas afirmou que o aval provavelmente não sairá antes da eleição presidencial de 4 de outubro.

    Porém, o governo brasileiro não divulgou um calendário oficial.

    O Itamaraty informou que não comentaria o processo devido à confidencialidade prevista pela Convenção de Viena.

    Assim, Brasília não confirmou uma recusa nem apresentou objeções públicas contra Perez.

    A indefinição, portanto, mantém aberta a possibilidade de uma aprovação posterior.

    Washington critica demora

    O Departamento de Estado criticou a demora brasileira.

    Segundo o órgão, Trump possui o direito de escolher seus representantes diplomáticos.

    Além disso, o governo norte-americano rejeitou qualquer interferência estrangeira em seus procedimentos internos.

    Uma fonte consultada pela Reuters afirmou que Washington considera possíveis medidas contra o Brasil.

    Entretanto, os Estados Unidos ainda não anunciaram nenhuma decisão concreta.

    Portanto, não existe até o momento uma sanção oficial relacionada ao caso do embaixador.

    Relação enfrenta tensão

    O impasse sobre a nomeação de Daniel Perez ocorre durante uma fase de dificuldades entre Lula e Trump.

    Nas últimas semanas, os governos divergiram sobre comércio, eleições e segurança.

    Os Estados Unidos aplicaram novas tarifas contra produtos brasileiros.

    Como resposta, o Brasil acionou a Organização Mundial do Comércio e manteve negociações diplomáticas.

    Além disso, Brasília negou vistos a dois integrantes do governo Trump. Lula confirmou a decisão na quarta-feira (29).

    Segundo o presidente, os funcionários pretendiam interferir no processo eleitoral brasileiro.

    Por outro lado, o Departamento de Estado classificou essa interpretação como infundada.

    Ainda assim, Lula afirmou que não deseja um confronto com Trump.

    O presidente brasileiro defendeu a soberania nacional, mas também manteve os canais diplomáticos abertos.

    Efeito sobre a embaixada

    A ausência de um embaixador não interrompe as relações entre os dois países.

    Nesse cenário, um encarregado de negócios pode comandar temporariamente a missão diplomática.

    Contudo, embaixadores possuem maior peso político nos contatos com presidentes, ministros e parlamentares.

    Por isso, a indefinição pode limitar o diálogo de alto nível.

    O impacto ganha importância durante a campanha brasileira. Afinal, os dois governos já trocaram acusações relacionadas à eleição de outubro.

    Por outro lado, Brasil e Estados Unidos mantêm relações econômicas amplas.

    Portanto, comércio, investimentos, energia e segurança continuam exigindo coordenação.

    Próximos passos

    A nomeação de Daniel Perez ainda depende de duas decisões. O Senado norte-americano precisa votar a indicação, enquanto o Brasil continuará analisando o pedido de agrément.

    Brasília poderá conceder o aval, adiar a resposta ou rejeitar o nome. Contudo, uma eventual recusa não precisará apresentar justificativa pública.

    Enquanto isso, os governos tentarão administrar outras disputas bilaterais. O desfecho dependerá das decisões de Lula e Trump durante as próximas semanas.

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