São Paulo aposta em IA, satélites e câmeras para combater queimadas durante El Niño severo
Governo paulista ampliou a Operação SP Sem Fogo 2026 com monitoramento em tempo real, parceria com Waze, caminhões-pipa e reforço em áreas ambientais de risco
O governo de São Paulo ampliou o uso de tecnologia para tentar reduzir os impactos das queimadas durante o período mais seco do ano. A estratégia faz parte da Operação SP Sem Fogo 2026, que entrou na fase vermelha em junho e ganhou reforço diante da previsão de um El Niño severo.
Entre as principais novidades está o Painel de Inteligência SP Sem Fogo. A plataforma usa inteligência artificial para cruzar dados meteorológicos, mapas de risco, registros de ocorrências e informações de monitoramento em tempo real. Dessa forma, as equipes podem agir com mais rapidez e antecipar ações preventivas contra novos focos de incêndio.
Monitoramento em tempo real
Além disso, o plano inclui o uso de satélites capazes de identificar focos de incêndio ainda no início. O governo paulista também criou a chamada “Muralha do Fogo”, que utilizará câmeras do programa Muralha Paulista para detectar sinais de fumaça e fogo em diferentes regiões do estado.
Ao mesmo tempo, a rede de monitoramento terá imagens de rodovias administradas por concessionárias e pelo Departamento de Estradas de Rodagem. Com isso, o governo pretende ampliar a vigilância em áreas próximas às estradas, onde o risco de queimadas costuma aumentar durante a estiagem.
Motoristas poderão avisar pelo Waze
Outra frente da operação envolve a participação dos motoristas. Por meio de uma parceria com o Waze, usuários poderão informar focos ativos de incêndio nas rodovias. Assim, os alertas enviados pela população ajudarão no acionamento mais rápido das equipes responsáveis pelo combate ao fogo.
Segundo o coordenador estadual de Proteção e Defesa Civil, coronel PM Rinaldo de Araujo Monteiro, o objetivo é fortalecer a prevenção e ampliar a capacidade de resposta dos municípios. Por isso, a operação combina tecnologia, estrutura em campo e integração entre diferentes órgãos estaduais.
Plano chega a 613 municípios
Neste ano, o plano de contingência envolve 613 municípios paulistas, número 55% maior que o registrado em 2024. Além disso, mais de 3 mil agentes atuarão diretamente nas ações de prevenção e combate aos incêndios florestais.
O estado também comprou 100 caminhões-pipa, 23 viaturas, 220 kits de combate a incêndios e mais de 300 equipamentos. Entre os itens estão capacetes, sopradores e torres de iluminação. Além disso, a Defesa Civil realizou 16 treinamentos presenciais em diferentes regiões para preparar equipes municipais.
Áreas ambientais terão reforço
A operação prevê ainda monitoramento presencial em 24 unidades de conservação consideradas de alto risco. As ações começaram na fase amarela, com vistorias técnicas, mais de 1.100 quilômetros percorridos e notificações enviadas a rodovias e concessionárias.
Além disso, a Fundação Florestal deve ampliar o uso de drones com câmeras termais, sensoriamento remoto, mapas automáticos de severidade do fogo e aplicativos com registro georreferenciado de ocorrências. Dessa maneira, o governo espera integrar fiscalização, tecnologia e resposta rápida em campo.
Calor aumenta preocupação
O reforço ocorre em meio às previsões de um El Niño severo. Segundo o material divulgado pelo governo paulista, modelos climáticos indicam que o fenômeno pode elevar as temperaturas no Brasil e aumentar a frequência de ondas de calor, principalmente entre a primavera e o início do verão.
Por isso, a Operação SP Sem Fogo concentra esforços entre junho e outubro, período em que o tempo seco e o calor ampliam o risco de incêndios. A ação reúne secretarias estaduais, Corpo de Bombeiros, Polícia Militar Ambiental, Cetesb, DER, Fundação Florestal e outros órgãos.
Com a ampliação da estrutura, São Paulo tenta reduzir danos ambientais, proteger áreas de conservação e acelerar o combate aos focos de incêndio antes que eles se espalhem.