• Nacional

    STF cobra 21 partidos sobre controle de emendas

    Apenas oito legendas haviam respondido ao Supremo; esclarecimentos serão encaminhados à investigação da Polícia Federal.

    O Supremo Tribunal Federal (STF) ampliou a cobrança por transparência no controle de emendas parlamentares. A Corte pediu explicações aos presidentes de 21 partidos com representação no Congresso.

    Até o início da tarde desta terça-feira (28), apenas oito legendas haviam apresentado respostas. Portanto, 13 partidos ainda não tinham enviado suas manifestações ao Supremo.

    O ministro Flávio Dino determinou a medida dentro da ADPF 854, que acompanha a transparência e a rastreabilidade dos recursos indicados por parlamentares.

    Além disso, Dino decidiu encaminhar as informações à Polícia Federal. A corporação investiga possíveis irregularidades na destinação de verbas públicas.

    Partidos negam controle

    PL, MDB, PDT, PSDB, PSD, PSOL, Novo e PCdoB responderam aos questionamentos até segunda-feira (27).

    Segundo essas legendas, os presidentes partidários não possuem cotas próprias de emendas. Além disso, eles não podem definir formalmente os estados ou municípios beneficiados.

    As respostas destacam que deputados e senadores possuem competência para indicar os recursos. Portanto, dirigentes sem mandato não poderiam substituir os parlamentares nesse processo.

    O PL apresentou uma explicação específica sobre seu presidente, Valdemar Costa Neto. O partido afirmou que ele apenas oferece sugestões políticas aos integrantes da bancada.

    Segundo a legenda, Valdemar não administra cotas nem reservas orçamentárias. Dessa forma, sua atuação política não representaria uma indicação formal de emendas.

    Entretanto, o STF ainda examinará os documentos. A Polícia Federal também poderá comparar as respostas com as informações reunidas nas investigações.

    Treze legendas não responderam

    No início da tarde desta terça-feira, Avante, Cidadania, Missão e Podemos ainda não haviam apresentado respostas.

    A lista também incluía PP, PRD, PSB, PT, PV, Rede, Republicanos, Solidariedade e União Brasil.

    Contudo, a falta de manifestação naquele momento não comprova irregularidade. As legendas ainda poderão prestar os esclarecimentos solicitados pela Corte.

    O Supremo quer saber se dirigentes mantêm cotas, reservas ou outros mecanismos para influenciar a distribuição dos recursos.

    Além disso, os partidos precisam explicar as regras internas aplicadas às emendas. O objetivo é identificar quem toma as decisões e como registra cada indicação.

    Declaração motivou cobrança

    Dino intimou as legendas após declarações de Valdemar Costa Neto em uma entrevista concedida no dia 14 de julho.

    Na ocasião, o presidente do PL afirmou que dirigentes partidários participam da escolha dos destinos das emendas. Assim, a fala levantou dúvidas sobre o funcionamento dessas indicações.

    No dia seguinte, Dino cobrou informações das 21 siglas com representação no Congresso.

    O ministro ressaltou que o Orçamento não prevê emendas pertencentes a presidentes partidários.

    Em sua resposta, o PL afirmou que Valdemar utilizou uma expressão coloquial. Segundo a legenda, ele se referia à interlocução política, não ao controle formal dos recursos.

    Agora, o STF deverá confrontar essa explicação com outros elementos da investigação. Portanto, a análise não ficará limitada às declarações públicas.

    PF acompanha investigação

    As respostas seguirão para a Polícia Federal dentro da Operação Transparência. A investigação apura a possível participação de pessoas sem mandato na destinação de emendas.

    O caso também envolve 21 emendas da Comissão de Saúde da Câmara. A PF identificou possíveis problemas relacionados à indicação e à rastreabilidade dos recursos.

    A Câmara apresentou documentos ao Supremo e negou irregularidades.

    Além disso, afirmou que indica e aprova as emendas, enquanto o Executivo realiza a execução financeira.

    Ainda assim, a investigação continuará examinando os registros. Os agentes poderão verificar documentos, comunicações e decisões relacionadas ao direcionamento das verbas.

    A remessa dos esclarecimentos à PF não significa que o STF responsabilizou os partidos. Entretanto, as informações poderão ajudar a confirmar ou afastar suspeitas.

    Transparência das emendas

    As emendas parlamentares permitem que deputados e senadores direcionem recursos do Orçamento para obras, serviços e políticas públicas.

    Contudo, decisões anteriores do STF exigiram maior identificação dos autores e beneficiários.

    A Corte também cobrou planos de trabalho e mecanismos de fiscalização. Dessa maneira, os órgãos de controle podem acompanhar o caminho do dinheiro público.

    Além disso, os cidadãos precisam identificar quem indicou cada verba.

    Agora, Dino avaliará se as regras atuais garantem transparência suficiente no controle de emendas parlamentares.

    Caso encontre falhas, o ministro poderá determinar novas medidas aos partidos, ao Congresso ou ao Executivo.

    Próximos passos

    O STF continuará recebendo e analisando as manifestações das legendas. Em seguida, a Corte poderá solicitar documentos adicionais ou esclarecimentos específicos.

    A Polícia Federal também examinará as respostas dentro da investigação.

    Contudo, qualquer responsabilização dependerá da identificação de condutas irregulares e da apresentação de provas.

    Portanto, o caso abre uma nova frente no debate sobre emendas parlamentares. O ponto central será separar a articulação política da indicação formal de recursos públicos.

    Noticias relacionadas